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1 de dezembro de 2015

SONHADORES DA CENA EXTREMA

Nova edição do festival Ataque Extremo contou com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning e Chemical Disaster

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Patricia Amorim Flavera

Muitos chamam de sonhadores, outros de loucos e poucos de vagabundos, mas a verdade é uma só, que nunca foi e nunca será fácil apoiar/montar um evento destinado ao metal no Brasil, salvo algumas exceções.

Assim podemos falar do “Ataque Extremo”, que há anos dedica um espaço para bandas desse segmento aqui no ABC paulista e nessa atual edição, realizada no dia 3 de outubro, trouxe aos presentes o melhor do submundo extremo, com as bandas Reffugo, Justabeli, Blackning, Bloody Violence e os santistas do Chemical Disaster.

Inicialmente no Cidadão do Mundo, atualmente o evento acontece na Troppo, localizada no centro de São Caetano do Sul, que apesar de bem diferente da primeira casa, mantém o charme e as características para receber eventos do estilo.

Justabeli
Patricia Amorim Flavera
Por motivos logísticos acabei perdendo o show do pessoal do Reffugo, uma pena. Já se passavam das 23h30 quando o Justabeli iniciou seu set. Com uma nova formação, que além de War Feres (voz e baixo) hoje é composto por Julio Blasphemer (guitarra) e Morbus Deimos (bateria) deram continuidade na divulgação de seu novo trabalho, o álbum Cause the War Never Ends.

Os destaques ficaram por conta de Die In the War, a técnica Infected By Radiation e os ótimos solos de Divine Fall, numa ótima apresentação, que foi marcada pela coesão, além de evidenciar que a atual formação vai muito bem obrigado.

Blackning
Patricia Amorim Flavera
Do death/black rumamos ao thrash com o Blackning. E para quem ainda não conhece o trio formado por Cleber Orsioli (guitarra e voz), Francisco Stanich Jr. (baixo e voz) e Hellvis Santos (bateria) está perdendo tempo, ainda mais se for fã do thrash brazuca praticado nos anos 90 (Sepultura, Overdose, Korzus). 

Em um set curtíssimo, mandaram músicas do debut, Order of Chaos, de 2014 que teve como pontos altos The Will Be Done, Death Row e Unleash Your Hell. Vale citar que além da pegada ‘brazilis’, o que chama a atenção é o groove inserido nas canções, que as deixam especiais, além de diferenciar o grupo de outros do mesmo estilo.

Já eram mais de 1h40 da madruga e o death metal retornava com a gauchada do Bloody Violence. Voltando de um giro na Europa, o trio formado a época por Israel Savaris (baixo e voz), Igor Dornelles (guitarra) e Eduardo Polidori (bateria) vai na vertente mais técnica e brutal do estilo, com destaque para as linhas de baixo e o uso da guitarra de oito cordas, cujas texturas são um atrativo a mais nas canções, como pudemos ouvir em Mother of the Dying, Colares UFO Clap e Born to Squirm. Ótima banda, cujo debut Divine Vermifuge merece um lugar na CDteca dos admiradores de música extrema!

Chemical Disaster
Patricia Amorim Flavera
Encerrando a noite tivemos os veteranos santistas da Chemical Disaster. Luiz Carlos (voz, Vulcano), Fernando Nonath (guitarra), Ricardo Lima (guitarra), Carlos Diaz (baixo) e Juca Lopes (bateria) agradaram em cheio os presentes com seu death metaal old school. 

Tudo permeado por um clima de descontração, como se fosse um encontro entre amigos, que respondiam batendo a cabeça em sons como When the Man Loses Fate, Soulsick, Canibalistic Greed e numa visceral versão para Black Metal (Venom). Seco, letal e mortífero, como um show de death metal deve ser!

Nem tudo foram flores

Esse é o ponto chato desse texto. Embora a noite tenha sido agradável, com ótimas apresentações de todos os grupos, nem tudo foi 100% nessa noite. Apesar do som não estar as mil maravilhas (o que gerou a insatisfação do pessoal do Bloody Violence), o que é triste ver é o pouco público em eventos destinados ao metal no ABC.

O que faz vir a mente o seguinte questionamento...pra que bolar iniciativas destinadas ao estilo já que as pessoas preferem ficar em casa ou ouvindo as mesmas músicas que fizeram sucesso há 30, 40 anos atrás?

Assim, não há sonho ou ideal que resista a tanta falta de interesse (ou burrice)?


7 de abril de 2015

PRIMATOR: ESTREIA COM O PÉ DIREITO

Grupo recebe imprensa e convidados no dia do lançamento de seu debut album, Involution

Por João Messias Jr.




A novidade hoje em dia não é quando uma determinada banda lança seu trabalho de estreia, mas sim a forma como a mesma o apresenta ao público. Isso faz com que ela seja lembrada com maior frequencia e de certa forma, tenha um carinho maior na mente dos fãs. Um dos exemplos foi o coquetel/audição do álbum "Involution", dos paulistas do Primator, realizado no dia 18 de março, no Gillan's Inn, em São Paulo, casa que possui três anos de existência e que tem em suas fileiras apresentações de grupos nacionais e internacionais como Ancesttral, No Way, Age of Artemis e Dave Evans (ex-vocalista do AC/DC).

Rodrigo e João
Foto: Patrícia Biancalana
O aspecto intimista, com poltronas aconchegantes faz com que as barreiras de banda/assessor/jornalista/fã sejam quebradas e isso faz com que todos conversem a mesma língua, o que facilita muito na avaliação de um trabalho, seja para elogiar ou apontar eventuais ajustes.

A festa teve início às 21h15, quando Luiz Franco, proprietário da casa anunciou o início das festividades, que iniciou com um breve histórico do grupo e uma espécie de pocket show do grupo, que teve a exibição do videoclipe de Face the Death e o quinteto executando ao vivo as canções Caroline e a música que nomeia o grupo. Das faixas, a primeira chama a atenção pelo início lento e tétrico, que cresce durante sua execução e a segunda é perfeita para os palcos. O grupo conquistará um coração dos fãs de Metal Church e Judas Priest. Em resumo, uma apresentação que deixou os presentes curiosos para um show completo. Vale lembrar que nesta ocasião, o quinteto contou com a participação do baterista Daniel de Sá (Inheritance, ex-Andragonia).

Após o dever de casa, o momento foi destinado para fotos, autógrafos e um bate papo com o pessoal do grupo, e como tudo que é bom dura pouco, logo era hora de partir, mas com o espírito renovado para enfrentar o que vier pela frente.

Parabéns ao grupo formado hoje por Rodrigo Sinopoli (vocal), Márcio Dassié (guitarra), Diego Lima (guitarra), André dos Anjos (baixo) e Lucas Assunção (bateria) que mostra mais um grande trabalho produzido em nosso país. Outros agradecimentos vão para a Som do Darma, responsável pela assessoria do evento/recepção, a casa, por acreditar no projeto e pelos presentes, que fizeram deste, um daqueles dias que jamais sairá da memória.

Involution, o disco


Involution
Divulgação
A verdade é que embora sempre as bandas de metal tradicional estivessem por aí (alguém lembrou Fates Prophecy?), faltava um grupo novo que bebesse nessa vertente, mas com um som tipo Judas Priest, Metal Church, ou seja, madura, mas sem cair no "truesismo". E Involution, debut do quinteto paulista Primator aposta neste caminho.

A faixa de abertura, que nomeia o grupo, mostra essa vertente, que ganha mais brilho com pequenas doses do thrash Bay Area nas guitarras. Durante a audição o disco mostra outros contornos, como o peso, presente em Deadland e na seguinte, Flames of Hades, onde o estilo que consagrou nomes como Testament dão o ar da graça, principalmente nos solos. Já Black Tormentor é o que chamamos de chiclete, graças as guitarras gêmeas e o refrão que gruda na mente logo de primeira.

Outra vertente que aparece aqui são as baladas, como Caroline, que lembra muito nomes como Reverend e Metal Church, enquanto Let Me Live Again dá enfase a melodia, chegando próximo ao hard rock.

Assim como nas bandas citadas no início do parágrafo, o todo também chama a atenção, desde a produção feita por Daniel de Sá (Inheritance), além da belíssima capa feita pelo vocalista, que num vinil ficaria ainda mais marcante.

Não há mais desculpas para ficar preso aos LPs e dizer que o estilo não produz mais bandas boas, pois o Primator prova justamente o contrário.
www.facebook.com/bandaprimator

31 de outubro de 2014

O ROCK AUTORAL PRECISA DE AJUDA


Evento que contou com as bandas Seventh Seal, Tailgunners, Demolition Inc. e Vulgar Type evidenciou o mesmo problema de shows de grupos que tocam músicas próprias: pouco público

Texto e fotos: João Messias Jr.
Cartaz: Divulgação

Cartaz do evento
Divulgação
Foram dias de indecisão e muitas reflexões e até a decisão de NÃO publicar esse texto, pois uma hora o leitor ficará de saco cheio deste cabeludo de óculos batendo sempre na mesma tecla, que o público não vai aos shows e tal. 

Mas, como as coisas não mudam (e não mudarão num curto prazo), vamos derrubando as pedras e mostrando o que acontece na cena, como o domingo quente (que a noite ganhou uma chuva torrencial) do dia 19 de outubro, que contou com as bandas Seventh Seal, Tailgunners, Demolition Inc. e Vulgar Type, que também teria a Hevilan, que não se apresentou por problemas de força maior.

O local escolhido, o Lords Rock Bar, em São Caetano do Sul, ABC paulista. Uma casa que antes do atual nome foi reduto de apresentações de samba e pagode. Há aproximadamente cinco meses, abriu as portas para o rock para todos os segmentos do estilo. A casa tem uma decoração digna das melhores de São Paulo, com charme inglês, paredes pretas e o melhor: capacidade para mil pessoas.

Vulgar Type
João Messias Jr.
As apresentações tiveram início às 16h30 com a banda Vulgar Type, que se mostrou uma excelente surpresa. Do ABC paulista, o quarteto formado por  Guzz’Cold (guitarra e voz), D. Tambveri (guitarra), Hellder Witz (baixo) e Dionísio Pavan (bateria) são praticantes daquele hard rock oitentista (se pensou em Motley, Winger e Ratt acertou) e estão quase no ponto para se tornarem um dos grandes nomes do estilo aqui. Pois mostraram muita malícia e músicas grudentas, como as canções do EP “Loud for the Night”, cujo destaque foi a "chicletíssima" “Midnight Little Girl”, cujo refrão fica na mente por dias, acredite. Outros pontos altos foram a versão para “Whole Lotta Rosie” (AC/DC) e “Shadows of the Wall”, que abriu a apresentação. Parabéns pela inclusão do grupo no cast.

Demolition Inc.
João Messias Jr.
Saindo das plumas e paetês e indo para algo mais pesado, às 17h40, tivemos o show da Demolition Inc. Sem invencionices e tampouco maluquices, o quinteto que conta hoje com Ricardo Peres (voz), Diego Reis (guitarra), Cleber Beraldo (guitarra), Valter Martins (baixo) e André Alves (bateria) funde as escolas do metal tradicional e thrash. 
Essa fusão resulta numa bela combinação entre peso e melodia, com destaque para “Revolution Now” e “Set Word On Fire”,que farão parte do primeiro álbum do grupo que sai nos próximos meses.

Tailgunners
João Messias Jr.
Hora do metal tradicional, estilo que o Tailgunners pratica com maestria. De inspiração maideniana, Daniel Rock (voz), Lely Biscasse (guitarra), Raphael Gazal (guitarra), Lennon Biscasse (baixo) e Gustavo Franceschet (bateria) executaram as canções de forma apaixonada, cativando os poucos presentes, mostrando-se uma banda com uma performance melhor do que as dos grupos que os influenciaram. 
Com base no terceiro álbum, “The Gloomy Night”, o set teve como destaque“Gloomy Night,”In My Eyes” e “One of Them”, sem esquecerem das antigas como “Abolition of Slaves”, do debut “Battlefield”, lançado em 1998.
Uma apresentação que merecia ter sido vista por mais pessoas.

Seventh Seal
João Messias Jr.
Encerrando a noite às 20h50 o Seventh Seal colhe os frutos da ótima repercussão do terceiro trabalho, “Mechanical Souls”, que une de forma balanceada elementos do hard rock ao death metal, tudo temperado com um toque progressivo. Contando com os melhores músicos do país em suas fileiras, o grupo que conta hoje comLeandro Caçoilo (voz), Thiago Oliveira (guitarra), Tiago Claro (guitarra), Victor Próspero (baixo) e Marcus Dotta (bateria) fez um set diferente das apresentações anteriores, começando com”Dark Chant”, uma das músicas mais fortes do grupo e que funcionou muito bem como abertura. O show continuou com a grudenta “Virtual Ego”, passando por “Highway to Hell”(AC/DC) até o encerramento com “Beyond the Sun”, numa noite, que além do público pequeno, ficou marcada pelo som ruim em todas as apresentações. Como a casa começou seus trabalhos recentemente, a expectativa é que as coisas melhorem com o tempo e por isso merecem um voto de confiança.

Seventh Seal
João Messias Jr.
Como disse nas primeiras linhas, algo precisa ser feito para que os eventos tragam mais pessoas. Vou me repetir, mas é necessário: bandas, donos de casas de shows, produtores, imprensa e público deveriam conversar e discutir soluções e até novas formas de espetáculo para que o mesmo não fique relegado a meia dúzia de gatos pingados. A intenção não é que milhões de pessoas lotem as casas, mas que pelo menos as bandas tenham um público justo para vê-las. E o diálogo seria um ótimo começo para melhorar isso.

21 de outubro de 2014

CONFIRAM COMO FORAM AS APRESENTAÇÕES DOS GRUPOS KATAPHERO, CHAOS SYNOPSIS E KAMALA NO ABC PAULISTA

Apresentações em Santo André e São Bernardo do Campo foram marcadas por performances consistentes e estilos variados

Texto e fotos: João Messias Jr.

Kataphero
João Messias Jr.
Os dias 10 e 11 de outubro (sexta e sábado) foram marcados por apresentações das bandas Kataphero, Chaos Synopsis e Kamala no ABC paulista. As duas primeiras se apresentaram na sexta em Santo André e sábado em São Bernardo junto com o pessoal do Kamala.

No primeiro dia, a casa escolhida para a festa foi o 74 Club, que já foi palco de bandas como Lama Negra, Ação Direta, HellArise, Threat e Macchina, que para quem não conhece possui no piso superior um bar aconchegante para os fãs do underground, com capas de discos, cartazes de shows e posters de filmes thrash, cujo palco para apresentações fica no andar de baixo.

Chaos Synopsis
João Messias Jr.
Previsto para início às 20h, as apresentações começaram mais de duas horas depois, pois as bandas tiveram problemas no trajeto para o ABC. Dessa forma, apenas às 22h30, o Kataphero iniciou seu set. Sem tempo para colocarem pinturas e indumentárias, o quarteto formado por Paulo Santiago (voz e guitarra), David Cantidio (guitarra), Phelippe Melo (baixo e voz) e Lucas Somenzari (bateria), mostraram músicas de seu primeiro álbum, “Life”, que mostra um black metal climático, técnico e com muitas referências ao metal tradicional, empolgando quem estava no espaço. Uma pena que, por se tratar de um bairro residencial,  o tempo da apresentação foi reduzido para 20 minutos, o que deixou um gosto de quero mais. Vale lembrar que o grupo , oriundo do Rio Grande do Norte, possui 15 anos de estrada e fizeram neste mês a primeira tour pelo Sudeste.

Sem tempo para passar o som, às 22h55 o Chaos Synopsis, que substituiu a banda Chemical no evento, mostrou seu poderoso death/thrash aos andreenses. Se apresentando como um power trio, pois o guitarrista JP não pode vir,  Jairo Vaz (baixo e voz), Marloni (guitarra) e Friggi Mad Beats (bateria) além de caras muito legais e acessíveis, sabem reverter as adversidades ocorridas, transformando tudo numa baita festa. Uma pena que tiveram apenas 20 minutos para mostrar sua música, pesada, mórbida e energética, que teve como destaques as músicas “Rostov Ripper” e “Sarcastic Devotion”, numa noite que mais uma vez ficou devendo no quesito público.

Ação beneficente com muito rock

Chaos Synopsis
João Messias Jr
No sábado (11), o show ocorreu no município vizinho, em São Bernardo do Campo, no Centro Cultural do Taboão. Localizado na periferia da cidade, o evento foi de caráter beneficente, cuja entrada era a doação de um brinquedo em bom estado, cuja arrecadação seria distribuída no Dia das Crianças.

Antes das bandas principais, o evento contou com duas bandas locais. Já eram 15h quando  a Listen começou as apresentações. Como mandaram apenas covers, dificulta falar mais do grupo em si. Já a segunda mostrou um grupo muito talentoso. Mesclando canções próprias com covers, o trio formado por James Anselmo (guitarra e voz), Victor Martinez (baixo e voz) e Edclife Gasparini (bateria e voz) chamou a atenção por serem ótimos músicos e pelas canções bem construídas como “Herói”. Uma pena que a galera agitou no som deles apenas quando tocaram covers, pois o S3lfy é um grupo que tem tudo para ser destaque na cena, inclusive na mainstream, pois o hard/pop da banda é além de cativante, é grudento e pra lá de bem feito.

Hora do metal

Kataphero
João Messias Jr.
Após quase uma hora de espera, às 19h, o Kataphero iniciou sua apresentação. Devidamente maquiados e com suas indumentárias, o quarteto fez um ótimo set, que privilegiou músicas do seu debut, “Life”. Com mais tempo, os caras mostraram todas as variações possíveis existentes em sua música, que agradará desde fãs de metal tradicional até grupos como Rotting Christ  e Dissection. Com uma boa vontade dos headbangers, eles têm tudo para se tornarem um dos maiores nomes da música extrema nacional.

Kamala
João Messias Jr.
A próxima banda foi o Kamala. Após uma ruptura, a banda atualmente um trio que conta com Raphael Olmos (guitarra e voz), Allan Malavasi (baixo e voz) e Estevan Furlan (bateria e voz) mostraram que essa nova fase pode render ótimos frutos. Privilegiando o terceiro álbum “The Seven Deadly Chakras"(lançado antes das mudanças), o atual formato do grupo deixou tudo mais compacto e direto, como na abertura com “Envy” e “Root”, cujas alternância de vozes foram o destaque, pois os músicos possuem diferentes timbres, que gerou contrastes interessantes nas canções.

Mas isso foi apenas o começo, “The Fall”, “Consequences” mantiveram o pique, além da nova “Becoming A Stone” mostrou uma música mais direto ao ponto, que gera expectativas positivas para o próximo disco, que começa a ser gravado no fim deste ano. “Crown” deu números finais a apresentação, que foi o melhor da noite.

Chaos Synopsis
João Messias Jr.
Finalizando o evento, o Chaos Synopsis mostrou seu death/thrash inspirado em serial killers. Mais uma vez como power trio, desta vez com JP nas guitarras, o grupo abriu o set com “Son of Light”, do mais recente registro do grupo, “Art of Killing”, que possui uma das capas mais bonitas  e brutais do estilo. Com uma performance empolgante e divertida, a banda mesclou canções de seus dois trabalhos, que tiveram como pontos altos, “B.T.K”  e “Sarcastic Devotion”, do debut “Kvlt ov Dementia”. Vale lembrar que o grupo será o único representante nacional na nova edição do Extreme Hate Festival, que acontece no mês de dezembro em São Paulo e terá no cast grupos como Crytopsy e Suffocation.

A ausência de público foi um fator irrelevante perto do caráter beneficente do evento, que com a entrada de um brinquedo, brindou os presentes com apresentações memoráveis do bom e velho rock and roll, que além da música, fez a alegria de muitas crianças. 

8 de outubro de 2014

THRASH ATTACK ABC: SOLDADOS QUE JAMAIS DESISTEM

Bandas Imbyra, Purulento, Kombato, Endigna e Muqueta Na Oreia comprovaram que a música pesada autoral ainda é vista com indiferença pelo público headbanger

Texto e fotos: João Messias Jr.

“É o pulso/É a tempora que te faz respirar/Alimenta o Seu Vício/E hoje não é um dia para morrer”. Os trechos da música ‘Soldado Não Para’, do quinteto Endigna diz por meio das metáforas que os músicos tocam metal porque gostam, sem visarem lucro ou glamour, pois cada nota que sai dos instrumentos, verso berrado ou golpes nos bumbos são feitos com amor e paixão. 

Além de traduzir perfeitamente o que aconteceu nesta noite fria do dia 5 de outubro, na mais recente edição do Thrash Attack ABC, que perante um público no mínimo VERGONHOSO contou com os grupos Imbyra, Purulento, Kombato, Endigna e Muqueta Na Oreia, que não se importaram com a ausência de fãs de música pesada no Lollapalooza, em Santo André, ABC paulista.

Muqueta Na Oreia
João Messias Jr.
Previsto para às 18h, teve a primeira banda no palco quase duas horas depois, com o Muqueta Na Oreia. De Embu das Artes, o quarteto formado por Ramires (voz e percussão), Bruno Zito (guitarra), Cris (baixo) e Henry (bateria) pratica um som que transita entre o thrash e o hardcore, chamam a atenção pela energia, sincronismo e musicalidade, como pudemos ouvir em “Cabeça Vazia”, do seu mais recente trabalho, “Blatta”, lançado em 2013, que inclusive recebeu recentemente uma versão em revista com o CD encartado. 
Outras músicas desse trabalho foram “Hardware, Software e Tupperware”, “Primogênito de uma Meretriz” e “Exu Caveira”, além de um medley com canções do Sepultura.

Endigna
João Messias Jr.
Igualmente visceral, mas com momentos que se aproximam do punk rock, o Endigna mostrou um repertório que pode agradar fãs de diversas tendências do estilo, desde os fãs de algo mais extremo até os fãs de música “normal”. Esse último aspecto fica ainda mais forte graças as letras em português, que são ditas e vociferadas pela vocalista Baby Drunk, que ao lado dos asseclas Diego Matos (guitarra), Cadu (guitarra), Che Castro (baixo) e Tiago Sorrentino (bateria) são excelentes dentro de sua proposta musical. 
As músicas que mais se destacaram foram “Morre Que Passa” e a já citada “Soldado Não Para”, sem contar a performance da vocalista, inspirada em caras como Phil Anselmo (Pantera).

Kombato
João Messias Jr.
Mudando para o death metal, o Kombato mostrou que teremos coisa boa vindo de futuros materiais dos caras. Devido a problemas com o guitarrista Marcos Pascoli, o grupo se apresentou como um trio. Juan Arteiro (guitarra e voz), Lucy Shalub (baixo e voz) e a convidada Isabela Moraes (bateria). Sem se importarem com o Lolla vazio, a banda mostrou um repertório parecido com o da última vez que se apresentaram no ABC, mas que foi possível notar uma tendência mais extrema, esse último notado pelos backings de Lucy, inspirados em grupos como Death e Obituary, como na versão para “Refuse Resist” (Sepultura) e em “Waiting to Die”, que encerrou a apresentação. De olho nesses caras!

Numa linha mais grind/hardcore, o Purulento iniciou seu set. Tiriça (voz), Jarbas (guitarra), Kalbi (guitarra), Parmegiani (baixo) e Caju (bateria) mandaram som atrás de som, mostrando que apesar do extremismo, é um grupo que pode agradar fãs de DZK, principalmente pelo posicionamento ideológico, como ouvimos em “Intolerância Religiosa”, “Resistência Não é Terrorismo”, a versão para “Lame Brain” (Extreme Noite Terror) e “Possuído Pelo Ódio”.
Se a sua praia atender por fúria, agressividade, ideologia e um som que não faz questão de ser sutil, o Purulento é uma ótima pedida.

Imbyra
João Messias Jr.
Já passava das 23h20 quando a última banda do evento, o Imbyra iniciou sua apresentação. Mesmo com o som não estar 100% (o que foi o mesmo para todos os grupos), Fabricio Ravelli (guitarra e voz), Danilo Bonano (guitarra), Anderson de França (baixo e voz) e Guilherme Figueiredo (bateria) mostraram as testemunhas da casa a experiência de terem feito parte de grupos como Hirax, Harppia, Chaosfear e Project 46 fizeram muito bem aos caras, cuja música agradará em cheio aos fãs de bandas como Trivium, Avenged Sevenfold, Machine Head e In Flames (atual), principalmente pela parede de guitarras e os berros que se alternam entre dolorosos e agressivos, como ouvimos na hipnótica “All You Disdain”, que iniciou a apresentação do grupo. Durante o set, mostrou que possuem músicas que se caracterizam pela intensidade, em especial as do novo trabalho, “The Newborn Haters”, com destaque para “I’m Your Hell” e “We Stand”, que deu números finais a mais uma edição do Thrash Attack ABC.


Imbyra
João Messias Jr.
Apesar das condições não favorável no quesito público, eventos este são as gotas de água limpa no meio desse oceano poluído chamado Underground, que embora possua muita gente comprometida, tem em sua maioria pessoas egocêntricas e sisudas, que acham que nada que é autoral e feito no Brasil presta, a não ser que apareça na mídia televisiva e revistas de renome. Mas como diz o título da canção “Soldado Não Para”, do Endigna, nossa missão é lutar para que esse panorama ao menos melhore.

20 de maio de 2014

ALIANCA HEADBANGER: A PRIMEIRA DE MUITAS EDIÇÕES

Edição de estreia do evento foi realizada no 74 Club, em Santo André e contou com as bandas Forkill, HellArise e Necromesis

Por João Messias Jr.

Forkill
João Messias Jr.
Em uma entrevista, o saudoso Ronnie James Dio disse que as bandas de sua época faziam de tudo para sair dos pequenos clubes e quando fui fazer essa resenha justamente essa matéria me veio na lembrança. Entendo os pontos de vista do saudoso baixinho, pois assim como num emprego, todos querem crescer e se estabelecer. Por outro lado, se não houver os devidos cuidados, o calor humano, a espontaneidade e a energia vão para o vinagre e a coisa acaba virando um emprego comum, em que muitas vezes você está nele apenas pela grana.

Por essas e outras, que apesar de cobrir shows maiores, algo que me motiva e dá prazer são os eventos pequenos e bem organizados, que nos fazem ver de forma clara e sincera que a base da cena está firme e forte, contrariando as pessoas que  dizem que o rock morreu. E um desses eventos que embora novos, como o Aliança Underground, que em sua primeira edição mostrou promissores valores da música pesada. Fruto de uma parceria entre a Warlock Produções e a Ataque Extremo, o festival e realizado no 74 Club, reuniu neste último sábado (17) as bandas Forkill, HellArise e Necromesis, este último responsável pelo pontapé inicial da festa.

Necromesis
João Messias Jr.
Conhecidos do público, Mayara Puertas (voz), Daniel Curtolo (guitarra e voz), Gustavo Marabiza (baixo) e Gil Oliveira (bateria) fizeram o que o público queria: um death metal variado, com nuances do technical, progressivo e partes brutais, evidenciados nos vocais de Mayara. Todas essas características podem ser notadas em The Life is Dead, que faz parte do novo EP do grupo, Echoes of a Memory. 

Com sua discografia se tornando mais extensa, a trupe não se esqueceu dos sons mais antigos e mandaram Building An Underworld e Demonic Source, esta da primeira demo, The Dark Works of Art, todos muito bem recebidas pela galera, formada por sua maioria amigos e conhecidos, o que é interessante e válido, pois não adianta nada você tocar bem e ser estúpido e arrogante com o público.

HellArise
João Messias Jr.
Já eram quase 21h quando a HellArise subiu ao palco. Após um período de incertezas devido às mudanças de formação, as remanescentes Flávia Morniëtári (voz) e Mirella Max (guitarra e backings) agora estão acompanhadas por Kito Vallim (baixo), Felippe Max (bateria) e o guitarrista convidado Diogo Rodrigues. Comemorando o lançamento da versão física do EP Functional Disorder, viabilizado pelo crowdfunding, mostrando que ainda sim o poder está em nossas mãos por meio dos financiamentos coletivos.

A banda, sem cerimônias e rodeios, mandaram o melhor do death/thrash sons do EP, como More Mindless Violence, More Than Alive e I don’t Belive, todas pesadas, fortes e intensas, com um plus. Pois o que você ouve no EP, ouve ao vivo, sem truques e maquiagens. O set contou com uma versão de Violent Revolution (Kreator), a faixa-título do disquinho, que une com harmonia o peso do thrash com as harmonias do metal tradicional. A grooveada Human Disgrace e Rest In Pieces (Good Old Feeling), essa com um belo trabalho das guitarras, cujos solos se aproximaram do hard rock. Agora é torcer para que finalmente as coisas aconteçam para o grupo, pois já o fazem por merecer.

Forkill
João Messias Jr.
Faltando dez minutos para às 22h, o Forkill mostrou o porquê de serem considerados um dos melhores grupos de thrash no Brasil. Joe Neto (guitarra e voz), Ronnie Giehl (guitarra), Gus “Guzzy” NS (baixo) e Mark Kosta (bateria) fazem um thrash agressivo e energético, soando como uma versão atualizada das bandas da Bay Area com um diferencial nas vozes, que possuem muito de Tank e Motorhead, o que casou bem aqui. Com um álbum devastador na praça, que recebe o nome de Breathing Hate, os caras não tiveram dó dos pescoços (e almas) dos presentes e mandaram sons como Vendetta, a faixa-título e The Joker, que infelizmente contou com alguns problemas na guitarra de Ronnie. Sanado o imprevisto, mandaram mais sons, como a slayerizada Wardance e as inéditas Old School e Let There Be Thrash, que mostram que não apenas a pegada fora mantida, mas ainda mais agressiva.

Os caras encerraram a noite com a “antiga” Brainwashed” e uma versão mais rápida e agressiva para Seasons In The Abyss (Slayer), que contou com o final de Raining Blood, fechando essa primeira edição do evento, que teve um balanço positivo, com bom público, som audível para os presentes e grupos de qualidade. Evidências presentes no evento, que promete soltar a segunda edição em breve.

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