17 de julho de 2013

CJ RAMONE: PUNK ROCK E DIVERSÃO

“Eterno baixista dos Ramones alegra os presentes com o melhor dos três acordes”

Texto e fotos: João Messias Jr.

CJ Ramone
João Messias Jr.
Cristopher Joseph Ward, mais conhecido como CJ Ramone pode se considerar um afortunado! Após sua entrada na adorada e idolatrada banda de poppy punk RAMONES o baixista escreveu sua história no mundo do rock. Sim, pois sua missão não foi fácil, pois entrou na banda no fim dos anos 90,  substituindo Dee Dee Ramone e além de impor seu estilo, ficou na banda até o seu fim, em 1996.

Após montar as bandas Los Gusanos e Bad Chopper, se lançou como artista-solo e hoje promove o álbum Reconquista, lançado no ano passado. Mas, (ai se todos fossem assim), o músico não renega o passado e vive sadiamente tocando sons de sua antiga banda com suas canções autorais, o que rendeu algumas visitas ao nosso país ao longo desses anos. Como em sua mais recente tour, que passou por aqui há poucos dias. Esse giro pelo país rendeu uma apresentação na capital paulista, no dia 5 de julho, no tradicional Hangar 110, próximo ao metrô Armênia.

Mas antes disso...

Gildo (Garotos)
João Messias Jr.
... Antes do CJ, a festa teve como abertura a banda Garotos, antigo Garotos Podres, que por motivos de disputa do nome na justiça, passou a atender dessa forma. 

Graças à eficiência do nosso transporte coletivo, acabei perdendo parte da apresentação do quarteto. Atualmente formado por Tio Denis (guitarra), Sucata (baixo) , Caverna (bateria) e o vocalista Gildo, chamam a atenção num primeiro momento pelo visual do cantor, que lembra o do mestre Bezerra da Silva. Inclusive com o mesmo carisma, só que cantando punk rock. Para os curiosos, a banda continua honrando o legado, que foi comprovado com a execução de hinos como  Rock de Subúrbio e o hino Papai Noel Velho Batuta. Ótima abertura!

One, two, three, four

Após uma considerável demora, às 21h50 CJ retoma à festa. Sob a marcação one, two, three, four, a  banda começou com Judy Is a Punk, mas foi com Blitzkrieg Bop a casa (lotada) veio a baixo, em que era possível ver pessoas de todas as idades chorando de emoção ao ouvir este e outros clássicos como Strenght to Endure e Psycho Therapy, mostrando-se um vocalista carismático e sem ficar na sombra do “mestre” Joey Ramone.

Surpresas

A noite se tornou ainda mais agradável graças às canções do álbum Reconquista. Grudentas, elas nos remetem a um famoso quarteto de Liverpool, graças ao bom trabalho de guitarras e os backing vocals. Um exemplo foi You’re the Only One, que faria muito sucesso nas rádios rock, caso fosse difundida no mainstream.

Voltando....

CJ e banda ao vivo
João Messias Jr.
Mas ainda tinha mais e rodas eram movidas aos clássicos ramônicos Teenage Lobotomy, Commando, I Wanna Be Your Boyfriend (dedicada as mulheres presentes).

Antes da parte final do show, CJ pediu para que os presentes cantassem um “Parabéns pra Você” em homenagem ao produtor Cacá Prates, que aniversariava naquele dia.

R.A.M.O.N.E.S (Motorhead) encerrou o show, que apesar de pouco mais de uma hora, deixou todos satisfeitos e felizes, como deve ser!
Com certeza Joey, Johnny e Dee Dee devem estar orgulhosos do legado que a banda fez mundo afora!

Foi gratificante e honroso ter a oportunidade de cobrir um show deste nível, com organização e casa cheia, mas não como não bater na mesma tecla: senhores headbangers, que tal fazerem isso nos shows de bandas nacionais também?

9 de julho de 2013

SYMPHONY OF MALICE: “ESTAMOS MUITO ANSIOSOS PARA A APRESENTAÇÃO COM O KORZUS”

Com cinco anos de estrada e formado nos Estados Unidos, o Symphony of Malice é um grupo que mistura sons tradicionais do heavy/thrash com uma pegada moderna. Neste período, lançaram dois trabalhos: o EP Judgement Day (2008) e Judgement Day (The Aftermath), lançado no ano passado que reúne canções do primeiro trabalho, com uma melhor qualidade profissional.

Neste momento, o grupo formado por Gus Sinaro (guitarra/voz), Joey Concepcion (guitarra), Allen Benatar (bateria) e atualmente estão sem baixista, se prepara para algumas apresentações no Brasil. Nesta entrevista, feita com Gus, que é brasileiro, nos conta das novidades e planos futuros da banda.

Confiram:

Por João Messias Jr.

NEW HORIZONS ZINE: O grupo é americano, mas possui um brasileiro em
Symphony of Malice
Kaos Photography

sua formação, vocalista/guitarrista Gus Sinaro. Como surgiu a oportunidade de morar e montar uma banda nos Estados Unidos?
Gus Sinaro: Formei a banda Symphony Of Malice em 2008 após sair da banda Panic Theory. Moro no EUA há muitos anos e agora tenho endorsements do BBE Sound e do Hughes & Kettner por causa do sucesso do Symphony Of Malice.

NHZ: Você que já teve bandas no Brasil, quais as principais diferenças de se ter e trabalhar uma banda de rock pesado aqui e no exterior?
Gus: Sim,  tive uma banda-tributo aos grupos Iron Maiden/ Helloween/ Stratovarius quando eu morava em São Paulo. Os estilos de metal variam muito de pais a pais.. Aqui no EUA o metal moderno do Trivium, All that Remains , Killswitch Engage é bem mais aceito do que o power metal.

NHZ: Falando em trabalho, a internet hoje é um grande facilitador para grupos independentes. Dessa forma é possível se estabelecer contatos e até marcar shows em outros países. Você pensa que seria possível trabalhar uma banda independente de outra forma hoje?
Gus: Acredito que a internet facilitou muito para bandas independentes ao redor do mundo. Mídias como Youtube e facebook tomaram conta e hoje são as ferramentas mais importantes de exposição hoje em dia.

NHZ: Vocês praticam uma mistura que engloba desde elementos clássicos (Metallica, Maiden) e contemporâneos (Trivium, All that Remains). Como é fazer essa miscelânea e mesclar essas escolas nas composições?
Gus: Escrevo as músicas sozinhas desde o início e procuro incorporar influências das  minhas bandas favoritas, alem de adicionar o meu toque e estilo. Hoje, o guitarrista Joey Concepcion está me ajudando e contribuindo nas composições, que estão com um ótimo resultado.

NHZ: Essa mistura já rendeu um EP, que recebe o nome de Judgement Day, lançado em 2010. Como foi sua repercussão e aceitação nos Estados Unidos e Europa?
Gus: Recebemos uma grande repercussão nessa área de New York, Connecticut. O trabalho foi bem comentado na  Califórnia e em países da Europa, como a  Alemanha.

NHZ: Vamos falar um pouquinho do Brasil. Quais trabalhos feitos por aqui que te chamaram a atenção?
Gus: O Sepultura ainda continua sendo minha banda favorita nacional.

NHZ: Falando em bandas brasileiras, vocês se preparam para algumas apresentações no país. Entre elas, vocês dividirão o palco com os grupos Korzus e Nervosa, em Santos. Quais as expectativas para esta e as outras apresentações que virão pela frente?
Gus: Estamos muito ansiosos para a apresentação com a lendária banda Korzus e nossa participação no programa Showlivre.

Capa do CD Judgement Day (The Aftermath)
Divulgação
NHZ: Vocês não possuem baixista fixo na formação. Quem fará a função das quatro cordas durante as apresentações no Brasil?
Gus: Para estas apresentações, a banda terá no posto de baixista, meu amigo de infância,  Leandro Moreira,  que faz parte da banda House of Bones. (N. do R.:banda formada por músicos brasieiros que fazem/fizeram parte de grupos como Versover e Hangar)

NHZ: Para encerrar, já se vão três anos sem lançar material inédito. Qual a previsão para um novo trabalho?
Gus: Na verdade, lançamos um álbum completo no final do ano passado. Ele se chama Judgement Day ( The Aftermath) que no caso possui musicas do EP, mas com melhor qualidade profssional. O CD foi mixado e masteriazado por Nick Bellmore, que toca nas bandas Toxic Holocaust e Kingdom of Sorrow e já gravou bandas como o Hatebreed.

NHZ: Gus, obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem aos leitores desta publicação.
Gus: Galera valeu pelo apoio e assistem nossos vídeos no youtube!

5 de julho de 2013

PANZER FEST: PARA ENTRAR NA HISTÓRIA DA MÚSICA NACIONAL


"Primeira edição do evento contou com ótimo público e apresentações intensas"

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Pri Secco

É fato que de uns anos para cá os ditos “headbangers” adoram bater no peito e que valorizam a cena de seu próprio país, com declarações que soam como letras do Manowar por meio das redes sociais, mas que chega na hora H, não vão comparecem aos shows, baixam os álbuns da internet (ou copiam de quem comprou), entre outras pérolas. Aí fica a questão: O que fazer?

Uma das alternativas é juntar bandas que nutrem dos mesmos objetivos e montar festivais. Dentre os que seguem este padrão temos o Live Metal Fest, Executer Fest e o Panzer Fest, realizado no dia 15 de junho (sábado). Este último que encabeça a nossa matéria de hoje!

Samuel Dias (Forka)
Foto: Pri Secco
Como o próprio nome diz, o fest é uma iniciativa da banda Panzer, veterano grupo thrash que fez muito barulho nos anos 90 com os álbuns Inside e The Strongest e que após um tempo e outros projetos, retomaram as atividades. Dessa volta, já conceberam um single (Rising) e um EP (Brazilian Threat). Para fazer parte da festa os caras chamaram quatro bandas de destaque na cena: Forka, Nervochaos, Woslom e Command6.

Decisão acertada

A casa escolhida para esta celebração foi o Cine Jóia, na Liberdade, local que já recebeu atrações nacionais e internacionais de peso como Cavalera Conspiracy e Morbid Angel. O que poderia ser ousadia por se tratar de uma casa maior do que  redutos do metal como Blackmore e Manifesto.

Esta decisão arrojada se mostrou certeira, o que pode ser vista logo na entrada da casa, com vários “camisas pretas” a porta da casa, expectativas que foram confirmadas logo na primeira apresentação.

O início do massacre

Ás 20h30 a primeira banda a entrar no palco foi o Forka. Do ABC paulista, o
quinteto formado por Ronaldo S. Coelho (voz). Alan Moura e Samuel Dias (guitarra), Ricardo Dickoff (baixo) e Caio Imperato (bateria) vive seu melhor momento da carreira com seu terceiro álbum, Black Ocean, que aposta numa linha mais direta (death/thrash) sem perder o groove. Outro fator que ajudou a elevar o nível da banda são suas apresentações, que se caracterizam pela agressividade, intensidade e descontração.


Guiller (Nervochaos)
Foto: Pri Secco
O show teve os ingredientes citados acima, mas chamou a atenção por algumas particularidades. A primeira estava na formação, que não contou com o baixista Ricardo, que sofreu um acidente e a banda optou por tocarem como quarteto sem ninguém segurando as quatro cordas.

Com um som cristalino, a banda impressionou pela fúria e com a coesão destiladas em canções como Black Ocean, Last Confrontation e The Human Race is Dead. Mas isso foi só o começo. Com uma resposta mais que positiva de quem estava na pista, os caras mandaram Feel Your Suicide, som que dá o título do primeiro CD dos caras e Knowing Your Suffering, que se destacou pelo groove frenético.

Após ajustes no som, a banda tocou mais uma do Black Ocean, Last Breath e depois de uma pequena pausa foi à hora de dois dos melhores sons da banda: Forgiveness Denied e Empire Surrender, que além da brutalidade, mostraram que os trechos em português casaram bem com a nova fase.

O show se encerrou com uma versão para Angel of Death (Slayer) com um jeitão Forka.

Acerto de contas

As apresentações das bandas seguintes, Panzer e Nervochaos foram uma espécie de acerto de contas. Sim, pois apesar da qualidade de ambas e de oportunidades de assisti-las por diversas vezes, já fazia mais de dez anos que não as via num palco. Sim, mas felizmente o festival me livrou dessa vergonha.

Rafinha Moreira (Panzer)
Foto: Pri Secco
O Nervochaos, atualmente formado por Guiller (voz/guitarra), Quinho (guitarra), Felipe (baixo) e Edu Lane (bateria) mostrou que está no melhor momento da carreira e que as apresentações pelo país e exterior deixaram a banda mais forte e coesa. Com um entrosamento de fazer inveja e uma ótima postura de palco, mandou aos presentes o melhor do death metal. Mesclando sons de toda sua carreira, a banda fez a alegria dos presentes com destaque para Total Satan, Might Justice,  Mark of the Beast, All-Out War. Outro fator digno de elogios são o entrosamento nos backing vocals feitos pela “linha de frente”, que tornaram as canções ainda mais maléficas e perfeitas.

Sob a frase “Deus não está aqui hoje” foi anunciada Pazuzu is Here, que foi respondida a plenos pulmões. Infelizmente Pure Hemp deu números finais ao show do quarteto, que mostrou que não deve em nada aos grandes nomes do estilo do exterior.

Já se passavam das 22 horas quando os thrashers do Panzer iniciaram seu show. Com toda a justiça aos seus trabalhos lançados nos anos 90, a banda, que hoje conta com Rafinha Moreira (voz), André Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Graseffi (bateria) vive seu melhor momento. Essa fase de glória pode ser vista e ouvida em Red Days, My Night, N.S.A e Burden of Proof. Antes de voltar a falar do “todo”, merecem ser citados os “Rafaeis”. Tanto o vocal como o homem das quatro cordas possuem uma postura insandecida, que contagia toda e qualquer alma. Essa energia ganhou o público que foi brindado com mais sons como Fake Game of Heroes e a nova The Last Man On Earth.

O show contou com as participações especiais de antigos integrantes como  Denis Grunheidt (Ancesttral) e Maurício “Cliff” (Sakrah), ou seja, estava tudo “em casa”. Torço para que logo soltem um novo álbum e que voltem ao lugar de onde não deveriam ter saído: o topo!

Após essas apresentações, me perguntei: Como fiquei mais de uma década sem assisti-las?

Evolução Monstruosa

Silvano Aguilera e Rafael Iak (Woslom)
Foto: Pri Secco
O Woslom era uma das bandas mais aguardadas da noite. Tal fato era constatado pela boa quantidade de bangers que estavam com a camiseta do quarteto. 

E essa ansiedade possui alguns motivos, como a performance insana do grupo em suas apresentações. Só que a principal causa é por causa de seu novo trabalho, Evolustruction, onde apesar de permanecerem no thrash, saíram da zona de conforto e apostaram em passagens mais trabalhadas com muita melodia e influências do heavy tradicional e do hard rock, o que resultou num dos discos mais aclamados deste ano.

Tá bom, vocês querem saber do show né? Os caras entraram mostrando o que o público queria ver: thrash. Purgatory, do Evolustruction abriu a apresentação impressionando pelo entrosamento do quarteto, principalmente os guitarristas Silvano Aguilera (também vocalista) e Rafael Iak, este último, inspiradíssimo, com uma performance digna dos mestres do estilo (alguém disse Alex Skolnick, do Testament), mostrando solos e riffs pavorosos como os de No Last Chance. Mas a cozinha formada por Francisco Stanich (baixo) e Fernando Oster mostrou a evolução de toda a banda, o que deu um sentido de unidade ao show, principalmente por tocarem com muito gosto e tesão.

Haunted by the Past, cujos backings poderiam tranquilamente figurar em qualquer protesto  e Evolustruction foram os pontos altos da apresentação, que se encerrou de forma sublime com Time to Rise, faixa título de seu primeiro álbum.

Creio que com mais shows, a performance do quarteto ficará ainda mais intensa e aí o planeta ficará pequeno para o Woslom.

Encerramento

Command6
Foto: Pri Secco
(Infelizmente) Com a casa mais vazia, coube ao Command6 fazer o encerramento do Panzer Fest. O quarteto formado por Wash (voz), Bruno F.Luiz (guitarra), Johnny Haas (baixo) ,Bugas (bateria) e que atualmente contam com Alex Gizzi (Trayce) de forma temporária mostraram que são um nome para ser ouvido com mais atenção.

Unindo diversas escolas do rock/metal e um vocal com a saudável influência de John Bush (ex-Anthrax) os caras entraram mandando bronca com sons de seu segundo álbum, Black Flag, lançado no ano passado. As músicas Crush the World, Lies So Pure, So Cold e Dawn of a Man mostraram muita dinâmica e entrosamento, cujos destaques são a coesão e os vocais de Wash, que considero um dos melhores da atualidade. Depois da boa impressão das primeiras faixas, os caras mandaram a faixa título do segundo álbum, Black Flag, que mistura as escolas dos anos 80 e 90 e You Want it You Got It, dona de uma levada empolgante.

A apresentação teve a impressão de ter passado rapidamente quando a banda anunciou o último som, Jesus Cry, do primeiro álbum “Evolution”, dona de um ritmo alto astral, graças a energia dos riffs.

Saldo Final

Uma noite que perfeita, que deixou todos os presentes satisfeitos e que não deve em nada aos grandes shows do estilo. Vamos ficar no aguardo da segunda edição, prometida para o final do ano!

Agora senhores headbangers, não há desculpa para não comparecerem nos shows!

2 de julho de 2013

ORPHANED LAND: EXÓTICO E ENVOLVENTE

“Grupo emociona presentes com sua música pesada, densa e cheia de mistérios”

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Gil Oliveira

Kobi Fahri
Foto: Gil Oliveira
Antes de falar do evento em si, estas linhas merecem um espaço para algumas considerações a respeito dos israelenses. Com mais de 20 anos de estrada (confirmar), a banda soube evoluir sem abrir mão da brutalidade. Iniciando como uma banda de death/doom, ao passar dos anos adquiriu contornos mais progressivos e soturnos, que mesclados a música regional do seu país de origem, angariou fãs de diversas vertentes, desde os de deathmetallers até os de grupos como Dream Theater e Pocupine Tree. Outra característica marcante do Orphaned Land é o fato de ser adorada por cristãos e “diehards”, pois passeiam pelos dois lados em suas letras, sendo intitulada como “Um Tango entre Deus e o Diabo”.

Em sua segunda tour pelo Brasil (muitos preferem esquecer do Metal Open Air, quando esteve escalado no cast),o quinteto israelense desta vez brindou o povo brasileiro em apresentações em estados como Minas Gerais (Roça ‘n’Roll) e São Paulo (Hangar 110). Ambas elogiadíssimas pelo público e mídia especializadas no assunto. Mas ainda teve tempo para mais e foi agendada mais uma data, no dia 2 de junho no Princípios Bar, em São Bernardo do Campo, casa que recentemente acolheu o rock e o metal.

Para esta celebração no ABC, foram escolhidas três bandas representativas da região: Pastore, Seven7h Seal e Demolition Inc.

Sem tendências e modismos

Yossi Sassi
Foto: Gil Oliveira
Às 18h30 subiu ao palco o quinteto Demolition Inc, que possui em sua formação o vocalista Ricardo Peres (Fates Prophecy, ex-Seven7h Seal). A música praticada pela banda surpreendeu aos poucos presentes, que ainda chegavam ao local, pois os caras fazem uma mistura inteligente do heavy tradicional e thrash, que trarão a lembrança de grupos como Metal Church (fases David Wayne/Mike Howe) e Fight, ou seja de elevar a adrenalina na estratosfera. Completam a banda Diego Reis e Cleber Beraldo (guitarras), Valter Martins (baixo) e Sergio Marchezoni (bateria), este substituiu nesta apresentação o músico original Hellvis Santos.

No set da banda os destaques foram Revolution Now, que tem tudo para ser um dos carros chefe do quinteto, The Pleague, Set the World on Fire e uma interessante versão para Refuse/Resist (Sepultura), que aqui foi transportada a sonoridade do Demolition Inc. Uma banda que merece atenção.

Recomeço

Uri Zelha
Foto: Gil Oliveira
A próxima banda foi o Pastore, que às 19h20 apresentou aos presentes sua nova formação, que conta com os seguintes músicos: Ricardo Baptista (guitarra, Laudany), e Derli Pontes (guitarra, Illustria), Adriano Carvalho Diniz (baixo, ex-Holy Sagga),  Marcelo de Paiva (bateria) e claro, o vocalista Mario Pastore. O novo line-up é tão coeso quanto o anterior e o fato de usarem duas guitarras novamente, conferem uma textura interessante nas canções do segundo trabalho do grupo, The End of Our Flames, como pode ser visto e ouvido em Brutal Storm.

Mas o foco foi o debut The Price of Human Sins, que teve como destaques as canções Fallen Angel (que fala de uma força invisível que está destruindo a humanidade), a “videoclíptica” Far Away e Nobody’s Watching.

Assim como os instrumentistas, o vocalista teve uma atuação soberba, pois apesar dos agudos e do “jeitão” Geoff Tate (Queensryche), soube trazer ao seu estilo partes mais rasgadas e até alguns urros.

Após mais um ótimo show, foi dada a notícia do cancelamento da apresentação do Seven7h Seal. Uma pena, pois a atual formação é muito forte e assim como as outras bandas de abertura, merecem maior atenção do público.

Espera encerrada

Kobi Fahri e Tiago Claro
Foto: Gil Oliveira
Já eram 20h30 da noite quando o Orphaned Land subiu ao palco. Formado atualmente por Kobi Fahri (voz), Uri Zelha (baixo), Matan Shmuely (bateria) e Yossi Sassi e Chen Balbus (guitarras) mostraram o porque de tantos elogios a sua música. Após a intro, os caras “chegaram chegando” com Birth of the Three (The Unification), Olat Há’tami e Bakarah que sintetizaram a apresentação. Pois embora o quinteto seja um grupo de metal, sua música não é feita para bater cabeça e sim sentir e dançar.
Sim, graças aos elementos folclóricos, canções como Sapari (um dos pontos altos do set) que pode ser facilmente incluída nas apresentações de danças orientais, como a dança do ventre, atenção dançarinas!

O show contou com a participação de Tiago Claro (Seven7h Seal) dividindo as vozes com Kobi em Ocean Landuma das faixas mais belas e sombrias da banda. Após essa canção, um clima de maior descontração aconteceu na faixa El Meod Na’ala, em que era possível ver o sorriso estampado no rosto de cada um dos integrantes, em especial de Sassi, que foi a simpatia em pessoa.

Norra El Norra (Entering the Ark) e Ornaments of Gold deram números finais a esta apresentação, que embora curta, não deveu em intensidade e feeling, coisa que muitos tentam, mas poucos conseguem.

Não tem como não esquecer

Apesar da ótima noite, algo não deve deixar de ser comentado, o baixo público. Não há desculpas. Mais uma vez vou tocar nessa tecla: será que os ditos headbangers só se manifestam quando há eventos como Rock in Rio, Monsters of Rock e apresentações individuais de grupos como Slayer, Iron Maiden e Black Sabbath?

Vamos nos conscientizar! 

20 de junho de 2013

WOSLOM: PARA OUVIR INÚMERAS VEZES

“Novo álbum da banda, Evolustruction investe em sonoridade trabalhada e cheia de detalhes”

Por João Messias Jr.

Evolustruction
Divulgação
É sempre um prazer ouvir os trabalhos que proliferam na nossa cena. Mas a nossa missão fica ainda mais empolgante quando chegam em nossas mãos discos maravilhosos, como o segundo e tão aguardado  álbum do quarteto paulista Woslom.

Formado por Silvano Aguilera (voz/guitarra), Rafael Iak (guitarra), Francisco Stanich Jr. (baixo) e Fernando Oster (bateria), soltaram neste mês de junho o tão aguardado segundo álbum, que recebe o nome de Evolustruction.

Ao invés de ficarem na zona de conforto, a banda buscou incorporar ao thrash passagens mais trabalhadas, que tem tudo para emocionar fãs de álbuns como Rust in Peace (Megadeth), The Ritual (Testament), Act III (Death Angel) e o (injustamente) criticado Force of Habit (Exodus). 

Começando da faixa-título e primeiro single, ela surpreende pelas linhas grudentas e pegajosas, que se aproximam do hard rock, principalmente no refrão, que colam de imediato. Haunted by the Past possui linhas vocais empolgantes, principalmente no refrão, que sem querer polemizar, faria sucesso se gritado a plenos pulmões nessa onda de protestos pelo país. Já No Last Chance e New Faith apresentam o maior destaque do trabalho: as guitarras. Aguilera e Iak fazem riffs e solos inspirados, em que repetidas vezes nos levam “solar” junto com os guitarristas em muitos momentos.

Voltando a falar nas seis cordas, a performance da dupla está no nível de gente do naipe de Holt/Runolt/Altus(Exodus), Mustaine/Friedman (Megadeth), Hanneman e King (Slayer)  e Skolnick/Peterson (Testament)

Os fãs de Time To Rise podem ficar tranquilos, pois apesar das melodias apuradas e passagens mais trabalhadas, o lado visceral continua presente para deixar nosso pescoço em frangalhos, como em Pray to Kill.

Purgatory começa com um jeitão de “Balada Bay Área”, com uma linha mais lenta, que recebe velocidade no meio e retoma a linha inicial no fim. O trabalho se encerra com uma inspirada versão para Breakdown, do Mad Dragzter (outra banda que vale a pena conhecer), que aqui foi transportada ao estilo da banda, e nem precisa dizer que ficou sensacional!

Evolustruction é um trabalho que tem tudo para ser lembrado nos próximos anos como um dos clássicos do metal mundial.

Para ouvir inúmeras vezes!

6 de junho de 2013

LIVE METAL FEST: "TEMOS QUE BUSCAR ALTERNATIVAS PARA VIRAR ESSE JOGO"


Não é novidade para ninguém que com o excesso de shows internacionais os grupos nacionais acabaram de certa forma "pagando o pato". Se por um lado os gringos acabaram descobrindo um novo eldorado para seguirem suas carreiras com shows, bandas nacionais de qualidade acabam tocando para poucos presentes que preferem prestigiar os estrangeiros.

Ainda não existe uma fórmula para que essa situação se reverta, mas alguns caminhos foram apontados. Um deles são grupos que possuem certa afinidade, juntarem forças e montar eventos próprios, como o Live Metal Fest.

O festival, que realiza sua terceira edição neste sábado (8), conquistou um bom público nas edições anteriores e tem tudo para se consolidar como uma alternativa para os bangers.
Um dos idealizadores do evento, Clayton Bartalo (também vocalista da banda Screams of Hate), nos contou da ideia do LIVE METAL FEST e da cena nacional.

Confiram!

Por João Messias Jr.

Cartaz LMF I
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Clayton, primeiramente conte-nos como surgiu a 
ideia de montar um festival com bandas nacionais.

Clayton Bartalo: Junto com o Ale Bovo (guitarrista do Screams Of Hate) tínhamos a ideia de voltar os festivais que a banda organizava no passado, mas de forma diferente. Usei os contatos que tinha e após um bate papo longo com o Bruno Luiz (Command6), resolvi organizar o primeiro LMF, onde o principal foco era a União das bandas para estruturarmos o evento. Todos entenderam a ideia e abraçaram o projeto.

NHZ: Além das bandas, o festival contou com apresentadores em cada uma das edições. A primeira com Vitor Rodrigues (Voodoopriest) e  a mais recente com o pessoal da Máquina Sonora. Qual o motivo de contar com esse tipo de atração?
Clayton: Nessa parte iremos sempre diversificar a cara do evento, trazendo novos apoiadores para deixa-lo cada vez mais temático e atraente ao publico. A interação será constante entre publico, banda e apoiadores.

NHZ: Desde a sua criação, foram concebidas duas edições, uma em novembro e outra em março. O que achou dos resultados? Quais as lições aprendidas?
Clayton: O resultado foi acima do esperado. Muitas bandas da cena entraram com a Alma no projeto e com isso conseguimos bons apoiadores para realizarmos o LMF. O publico correspondeu nos dois eventos que foram realizados em datas bem complicadas. Aprendi que a cena está unida e que devemos nos unir para conquistarmos nosso merecido lugar. O Metal Underground no Brasil está vivendo uma nova fase e queremos aproveitar esse momento. Vamos reduzir o tempo de realização do Festival (bimestral) e com outros eventos paralelos para apoiarmos a cena. Não virei produtor ou ganho dinheiro com o LMF, muito pelo contrário..., foco no trabalho da minha banda e tento incluir pessoas e bandas que pensam no mesmo sentido.

NHZ: Um dos intuitos do festival é apresentar ao público grupos emergentes da cena. Já figuraram no evento bandas como Trayce, Command6, Hammathaz, Holiness, Forka, entre outras. Quais os critérios usados para a escolha do cast?
Clayton: Acima de tudo entender os critérios básicos de participação do evento pois é tudo organizado pelas próprias bandas. Dividimos realmente tudo, desde equipo até os lucros ou prejuízos, esse é o diferencial. Tudo muito transparente e direto. Não temos patrocinadores e nem investidores no momento, acredito que será nosso segundo passo para termos cada vez mais qualidade e desenvolvimento do LMF para a cena.

Cartaz LMF II
Divulgação
NHZ: Todas as edições foram realizadas no Inferno Club, na Augusta Há planos para levar o festival para outros lugares ou mesmo regiões?
Clayton: SIM! Não imaginávamos ter tantas bandas de qualidade e de diferentes estilos interessadas em participar do evento, por isso motivamos a bandas de outros locais a organizarem seu próprio LMF. Adquirimos um bom Know-How e estaremos sempre a disposição para fazer acontecer. No segundo semestre teremos 03 já fechados e mais alguns lugares que estamos negociando para levarmos o LMF fora de Sampa.

NHZ: A próxima edição acontece no dia 8/6, com um cast poderoso, talvez o mais forte do LMF, que contará com as bandas Trayce, Command6, Against Tolerance, Ancesttral, Spallah e Kamala. Além de trazer grupos diferentes, o que o festival trará como diferencial em relação as anteriores?
Clayton: A forma de interatividade do LMF será mantida, temos inúmeras surpresas que somarão e muito ao evento. Novidades somente no dia e tenho certeza que surpreenderá a todos.

NHZ: Em todas as edições as bandas Trayce e Command6 estiveram presentes. Essas bandas sempre farão parte do evento?
Clayton: Para fortalecer o LMF precisava de bandas para disseminar o evento, que sejam a base do LMF e consegui isso com esses irmãos. Uma honra para mim e para o Screams Of Hate tê-los nessa batalha. LMF sem um dos 03 não será LMF...(risos).

NHZ: Você também é vocalista da banda Screams of Hate, que participou das duas edições anteriores, mas não vai participar agora. O que o motivou a não colocar o grupo no evento?
Clayton: Estamos em uma fase complicada de elaboração do novo CD, precisávamos de 02 meses para dar foco a isso. Pretendemos fazer alguns rodízios para apoiarmos outras bandas a participarem. O LMF “Psycho Circus” será bem bacana pois contará com bandas de diversas vertentes do Rock & Metal e estaremos tocando novamente!

NHZ: Agora vamos falar de algo triste para quem batalha pela cena. Muitos eventos ficam vazios ou com pouco público, em que muitos dizem que vão nas redes sociais, mas preferem pagar fortunas para ver grupos consagrados e não tem 15 ou 20 reais para assistir um show nacional com bandas de qualidade. O que pensa desta postura e acha que essa visão pode mudar no futuro?
Clayton: Esse assunto é manjado por todos e não adianta ficar lamentando... temos que  buscar alternativas para virarmos esse jogo. O nosso publico de metal tem que ter a consciência que dependemos deles para realizarmos um novo disco com qualidade, um show fudido, um evento acima da média, reconhecimento, etc. Vejo as bandas se preocuparem com a excelência em sua arte, Excelentes gravações e produtores incluindo a parte visual (designer, clipes, etc.) e somente com união de todos para revertermos esse quadro. Chega de botar culpa em banda cover, vamos fazer nossa parte direito, sem melindres!

Cartaz LMF III
Divulgação
NHZ: Para encerrar, quais bandas que você sonha que participem do festival?
Clayton: A Lista é grande hein..., vou resumir em:
Nacionais: Korzus, Overdose (volta!), Krisiun, Ratos de Porão, Dorsal Atlantica.
Gringas: Soulfly (CC), Kreator, Fear Factory, Napalm Death, Cannibal Corpse.

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem para os leitores desta publicação.
Clayton: Mais uma vez agradeço ao apoio do NHZ e do João Messias, que desde o início acreditou no trampo do Screams of Hate do do Live Metal Fest, aos nossos apoiadores e bandas parceiras que acreditam e muito no projeto. Vamos pra cima!

4 de junho de 2013

SHADOWSIDE E SUPREMA: UMA NOITE (QUASE) PERFEITA

“Bandas realizam shows memoráveis, mesmo com público abaixo do esperado”

Texto: João Messias Jr.
Fotos: Vivi Carvalho

Pedro Nascimento - Suprema
Foto: Vivi Carvalho
O dia 26 de maio tem tudo para ficar marcado na história do heavy nacional. Com a iniciativa do portal Wikimetal, as bandas Shadowside e Suprema mostraram ao público paulista um show que todos os fãs de som pesado merecem: casa com estrutura, equipamentos de primeira, produção de palco e o mais importante: músicas de qualidade.

Antes das apresentações, as bandas deram uma coletiva para a imprensa, onde os pontos mais importantes foram:

Shadowside: A carismática vocalista Dani Nolden comentou da emoção de estarem tocando na capital paulista após seis anos. Um assunto bastante comentado foi a tour que fizeram com o Helloween e Gamma Ray, em que a vocalista conta que foi na base de tanto mandar e-mails para o manager das bandas que esses shows foram possíveis.

Suprema: Assim como a Shadowside, havia muito tempo que a banda não se apresentava para os paulistanos. A maioria das perguntas foi respondida pelo guitarrista Douglas Jen, ele comentou sobre o lançamento oficial do álbum Traumatic Scenes no Brasil e Europa pela Power Prog. Outro ponto de destaque foi mostrar aos presentes a nova formação, que hoje conta com o baterista Fernando Castanha, o baixista Fábio Carito (também Shadowside), o já citado Douglas e o vocalista Pedro Nascimento .

Um assunto que Dani e Douglas comentaram também foi sobre o que falta para que o Brasil seja tenha uma cena consolidada como na Europa.
A vocalista comentou sobre a falta de respeito dos organizadores com as bandas, disponibilizando pouca estrutura e o guitarrista citou a “união” do metal nacional. Em que na hora H cada um pensa em si e esquecem do coletivo.

As Apresentações

Douglas Jen - Suprema
Foto: Vivi Carvalho
Ás 19h40, o quarteto Suprema deu início a sua apresentação. Com direito a cenário com pano de fundo e um relógio, mandaram ver com Marks of Time e Dark Journey. Essa última, um dos pontos altos do repertório da banda, com contornos hard e bons jogos de vozes entre Pedro e Douglas.
O grupo possui muita qualidade e músicos excelentes, mas ainda falta algo que os façam uma referência do estilo. Talvez um pouco mais de ousadia, pois pela bagagem que todos os membros possuem, podem produzir algo que nos deixe boquiabertos, como foi feito nas faixas Burning My Soul e Fury and Rage, donas de riffs pesados e densos, que apontam um potencial a ser explorado. Essa última contou com a participação do produtor Heitor Rangel, dividindo as seis cordas com Douglas.
Penso que poderiam ter levado mais sons próprios ao invés das versões para Overture 1928 e Strange Deja Vu (Dream Theater), mas as canções fizeram a alegria dos presentes, que cantavam  a plenos pulmões.
Nightmare encerrou a apresentação do quarteto, que fez um set de pouco mais de uma hora.

O grande momento

Já com o cenário trocado, às 21h30 sobem ao palco Fábio Buitvidas (bateria), Fábio Carito(baixo), Raphael Mattos (guitarra) e Dani Nolden (voz) e em suas posições, deram início ao massacre. Após a intro, executaram de forma surpreendente I’m Your Mind e A.D.D., em que confesso que não esperava a abertura com essas canções, que mostraram músicos cheios de tesão e entrega.
Mas a Via Marquês pegou fogo a partir de Highlight, do debut Theatre of Shadows, que teve como destaque os vocais de Dani Nolden, que não devem em NADA aos vocalistas do exterior, além da performance de palco emocionada. Observando essas canções, é de impressionar a evolução no estilo da banda, que começou como metal tradicional e hoje mescla elementos mais pesados, modernos e uma dose bem vinda de hard rock.

Sai o jornalista, entra o fã

Dani Nolden - Shadowside
Foto: Vivi Carvalho
Agora, vou confessar uma coisa: após My Disrupted Reality em muitos momentos o jornalista saiu de cena e ficou o fã. A execução de sons como Hideaway, Gag Order e In the Name of Love fizeram este que escreve essas linhas cair em lágrimas e ficar boquiaberto com a performance da banda, pois eles se entregavam a cada nota e era perceptível a emoção do quarteto a cada música executada.
Inner Monster Out foi outro momento destes, pois essa canção em sua versão de estúdio, conta com a participação de membros dos grupos Dark Tranquility, Soilwork, entre outros nos vocais. Aqui, as vozes foram executadas de forma primorosa por Dani, Rapahel e Fábio Carito.
Apesar de todos serem muito competentes em suas funções, o guitarrista Raphael Mattos merece uma menção especial. Dono de um estilo que possui raízes no hard rock, o músico enche as canções  de licks, riffs ganchudos e solos pirotécnicos, que fazem a alegria dos fãs do estilo, além de se movimentar por todos os lados do palco. Essa referência ficou ainda mais reforçada pelo músico estar usando uma camisa do Gotthard.
Outros destaques foram Baby in the Dark, um medley de canções do debut, em que foram executadas Vampire Hunter, Illusions e We Want a Miracle , Angel With Horns e Waste of Life, em que assim como em todas as canções, receberam respostas extasiadas dos presentes.

Gran Finale

Após essa música, subiram ao palco os músicos do Suprema para uma jam. Com todos no palco, a exceção dos bateristas, que revezaram, tocando um som cada um, levaram versões para Aces High (Iron Maiden) e Ace of Spades (Motorhead), que às 22h50, deu um ponto final ao espetáculo, que foi quase perfeito.

Faltou gente

Raphael Mattos - Shadowside
Foto: Vivi Carvalho
Sim, quase perfeito. Não pelas bandas ou pela organização, mas pelo público. Mais uma vez vou bater na mesma tecla: há momentos em que tenho vergonha de ver os ditos “headbangers”, dizerem apoiarem o metal nacional, mas que não tem coragem de ver um show das bandas do seu próprio país.
Não há desculpas para uma casa que cabe mais de mil pessoas ter pouco mais de 300. Pois aqui tudo foi feito de forma eficiente: muito bem divulgado, preços convidativos, bandas de primeira, som e equipamento dignos de bandas gringas. O que acontece?
Aí eu penso: e a hora que essa geração que batalha, quebra pedras e faz das tripas coração para uma cena melhor se focar em outras coisas, a cena acabará?

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