Formada nos anos 90, o Panzer foi um dos principais nomes do thrash
nacional neste período. Com dois CDs lançados, Inside (1999) e The Strongest
(2001), o quarteto, que teve como última formação Élcio Cruz (voz), André Pars
(guitarra), Maurício “Cliff” Bertoni (baixo) e Edson Graseffi (bateria), e logo
após um show no ABC, encerrou as atividades.
Após um silencio de mais de uma década, a banda ressurge com uma nova
formação, que além dos remanescentes André e Edson, conta agora com Rafael
Moreira (voz) e Rafael DM (baixo). Desde então, foram produzidos dois materiais
no ano passado: o single Rising e o EP Brazilian Threat. Ambos, além de manter
a pegada característica, tem como diferencial a inserção de elementos do stoner
rock e do death metal, estes evidenciados nos vocais de Rafael.
Nesta entrevista feita com o guitarrista André Pars, ele nos conta do
passado, presente, futuro e sobre o aguardado Panzer Fest, que será realizado em
junho e que além da banda, terá grandes nomes do metal nacional.
Confiram:
Por João Messias Jr.
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Panzer - Rising
Divulgação |
NEW HORIZONS ZINE: Antes de falar do presente, vamos ao passado para
ligar os fatos. Se não me falhe a memória, no ano 2000, a banda realizou sua
última apresentação num festival no ABC paulista. O que aconteceu para que a
banda entrasse num longo hiato?
André Pars: Muita coisa aconteceu! A gente ja estava numa fase meio
estranha. A banda ensaiava de mau humor, o que seria o terceiro disco estava
nos deixando loucos, conflitos internos ocasionados por falta de maturidade,
pessoas de fora que de uma forma ou de outra colaboraram para que as tensões
aumentassem, etc.
É difícil explicar, mas não houve
um motivo único, foi uma somatória de fatores e chegou num ponto que não víamos
mais sentido em continuar juntos. Paramos logo depois daquele show. O show foi
um dos nossos melhores, mas foi o fim. Cada um já estava por si...
NHZ: Passada mais de uma década, vocês resolveram reatar a banda. Vocês
sentiram que havia uma sensação de algo inacabado?
André: Com certeza. O terceiro álbum nunca foi lançado e a banda na
época estava muito bem. Simplesmente na época, jogamos tudo fora. Queríamos
continuar, mas ao mesmo tempo, dar um rumo novo a tudo. Por
isso, o novo disco não terá nada do que seria o terceiro álbum composto há mais
de 10 anos. Estamos de volta e vamos continuar por muito tempo.
Aprendemos com o passado e pretendemos não errar de novo. O Panzer era algo
muito bom pra ser jogado fora.
NHZ: Da formação clássica, ficaram o guitarrista André Pars e o
baterista Edson Grasefi. Como foi chegar aos atuais membros, Rafael Moreira
(voz) e Rafael DM (baixo) e porque não voltaram com os antigos integrantes?
André: Quando a banda resolveu voltar, a formação seria a eu (André) na
guitarra, o Edson na bateria e o Élcio nos vocais. O baixista não estava
definido. O Panzer até então nunca havia tido um membro definitivo nas quatro cordas. Todos
foram convidados. Mas quando a banda retornou, o Élcio, que hoje mora em
Vitória, chegou à conclusão de que a distância seria um problema e achou melhor
deixar o posto. O Edson conhecia o Rafinha vocalista e fizemos um teste com
ele. O cara é um animal! Aí foi certo de que a vaga era dele. Quanto ao
baixista a historia foi mais complicada, pois dessa vez , queríamos um baixista
definitivo. Fizemos por volta de dez testes com baixistas diferentes e no fim
fechamos com o Rafael DM, que além de ser muito bom, tem tudo a ver com o que a
banda pensa e procura. Ele conhecia o Rafinha e não foi cotado inicialmente pois
tocava já em outra banda. Hoje temos a certeza de que esse time tá muito forte
e que ainda vai trazer muita coisa boa.
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Panzer 2013
Carla Santos |
NHZ: Desde o retorno, foram lançados dois materiais: o single Rising e
o EP Brazilian Threat, que mostram uma banda mantendo os traços do passado, mas
sem medo de atualizar o som. Essa tendência é percebida principalmente nos
vocais de Rafael, que mesclam com vertentes como o death metal e o stoner, sem
soar forçado, como podem ser ouvidos em Burden of Proof. Como surgiu a decisão
de inserir esses elementos?
André: O Panzer sempre misturou coisas no som e nunca teve medo
disso. No passado, ninguém no Brasil tinha coragem de assumir esse lado stoner
e nós fizemos isso. Misturamos Black Sabbath com Thrash sem medo de ser feliz. Hoje,
isso é relativamente comum, mas há 12 anos atrás era quase que um suicídio,
pois o que tava na moda era o Nu Metal, o Metal Melódico e nosso som era muito
fora dos padrões. Colocamos um pouco de groove em levadas mais porradas também,
imprimimos simplicidade quando a moda era ser exibido, etc...Essa é nossa
marca. Acomodar jamais. Se for pra fazer o mesmo disco sempre, não tem sentido
a banda lançar um trabalho novo. Pelo menos a gente enxerga assim. Acredito que
se você faz as coisas com devoção, paixão e com sinceridade, as pessoas percebem
isso e chegam à conclusão de que as misturas no som são naturais e não
forçadas...Os novos integrantes se encaixaram nessa proposta pois também pensam
assim. Portanto se você ouvir o Rafinha cantando um som mais stoner ou um som mais
death metal, vai ver que ele o faz com naturalidade. Essa é a nossa intenção.
Não ter limite pra criar, mas sempre respeitando os fãs e o passado.
NHZ: Os dois trabalhos estão disponíveis para download no site da
banda. Como estão os acessos qual parte do país tem procurado o som da banda? E
o exterior?
André: Já perdemos a conta. Os acessos são muitos. Tocamos em
rádios por tudo que é canto do mundo. Tá muito legal a recepção. A galera em
geral curtiu essa nova fase da banda.
No Brasil, a galera ainda tem o pé
atras de lançamentos não-físicos, mas mesmo assim a aceitação é enorme. Temos
muitos fãs no Sul e Nordeste. Tanto é que estamos com planos de turnês bem
legais pra esses pontos do país.
NHZ: Ainda falando dos trabalhos, eles foram concebidos de forma muito
rápida. As canções eram sobras de estúdio do passado ou todo o material todo
foi concebido para essas ocasiões?
André: Apenas a Red Days era uma musica que já existia. O restante
é novo. Trabalhamos assim...rápido. Não ficamos perdendo tempo lapidando muito
um som. Se ele for bom, já nasce semi-pronto. O excesso de polimento pode
estragar um trabalho. Gostamos dessa simplicidade e crueza. Ela reflete nosso
espírito.
NHZ: Quais os planos para um álbum completo?
André: Até junho estaremos com um álbum na praça. Esperem pois a
banda vai vir mais forte do que nunca. É o velho Panzer, mas com uma cara nova.
NHZ: Antes de encerrar, comente-nos sobre o Panzer Fest, que como o
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Panzer - Brazilian Threat
Divulgação |
próprio nome diz, é um festival onde além do Panzer se apresentarão os grupos
Command6, Forka, Woslom e Nervochaos. Quais os fatores que os fizeram escolher
o cast?
André: A ideia do Fest é abrir espaço em São Paulo, pois hoje
quase não há lugar decente pra uma banda de metal se apresentar por aqui. Fora
que algumas casa não se dignam nem mesmo a pagar um cache decente pra quem
toca. No Fest é diferente, as bandas dão o seu melhor e recebem por isso,
afinal é o trabalho deles.
Essas bandas do cast são muito boas. Eu realmente
curto o som deles e os caras da banda também. Era muito importante que a
primeira edição do Fest fosse com bandas que tivessem uma proximidade com o
Panzer e também muita qualidade. Acho que quem for ao fest vai assistir grandes
shows. E esse é apenas o primeiro de muitos que o Panzer irá encabeçar.
NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixem uma mensagem aos leitores
desta publicação.
André: Nós é que agradecemos a atenção e oportunidade. Para a banda, isso é muito importante. Gostaria de deixar um recado pra galera. Todos nós que
curtimos som pesado e que reclamamos de não haver muitos shows, somos um
pouco culpados disso. O metal nacional tem muito a mostrar e tem muitas bandas
daqui que simplesmente arrebentam os gringos. Peço que a galera compareça aos
eventos nacionais, e vá prestigiar. Só assim, a nossa cena cresce e se torna
forte. Material o Brasil tem de sobra. Estamos tentando ajudar, fazendo a nossa
parte. O Panzer fest acontece em 15 de Junho. Vamos prestigiar o Metal
nacional!
www.panzermetal.com.br