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28 de março de 2016

UM CAMINHO PERIGOSO

Projeto solo do ex-vocalista das bandas Jason e Ukoa aposta na qualidade dos arranjos  no caminho perigoso entre o pop e o rock

Por João Messias Jr.

Outro Round
Divulgação
É natural que um projeto solo soe bem diferente de suas bandas originárias. Creio que se não fosse dessa forma, não faria sentido algum investir numa empreitada dessas. Pois bem, o vocalista R-Vox. que ficou conhecido por suas participações nas bandas Ekoa e Jason, o cantor apostou nessa nova empreitada, que circula no caminho perigoso entre o rock e o pop.

Carregando o título de Outro Round, o trabalho chama a atenção pela qualidade da gravação, que é excelente, permitindo que se ouça todos os instrumentos de forma clara e nítida, além dos arranjos, muito bem pensados, pois se encaixam perfeitamente nas canções.

Para a linha musical adotada, o trabalho é excelente, feito com faixas que soam quase como motivacionais, nos fazendo levantar e no mínimo querer sacar mais da proposta dos caras. Um exemplo fica para a faixa que nomeia o EP. Riffs grudentos, um belo  solo 'slashiano' e uma letra que caiu como uma luva.

Outro momento digno de nota fica por conta de A Paz. O início é bem pop, lembrando inclusive os primeiros tempos de bandas como Fresno e NX Zero. Durante a audição, ela vai "ganhando corpo", mostrando outra escolha bem acertada a figurar no trabalho.

Porém, além das músicas bem elaboradas, R-Vox acertou em cheio em criar linhas de voz adequadas para o seu timbre, o que garante o êxito nessa empreitada.

Apesar de achar que a produção deveria ser mais "sujona", Outro Round é um trabalho digno de elogios, cuja versão física vem num envelopinho simples, mas bem acabado e uma capa que foge das artes batidas de hoje, apesar de ter faltado as informações básicas.

Se ficou interessado, baixe o trampo no site do cantor e boa diversão!

23 de fevereiro de 2016

QUE PERMANEÇAM NO ROCK AND ROLL

Quarteto de Bauru apresenta um rock and roll bem elaborado com melodias que se aproximam do pop

Por João Messias Jr.

Ressaca
Divulgação
Por mais que ficamos a beira da loucura quando vemos que temos uma infinidade de material para avaliação, o que devemos fazer sempre, mesmo que demore um pouco mais é ouvir o trabalho de ponta a ponta para dar a merecida descrição do mesmo. Isso vale até para alguns trampos que fogem um pouco do que está acostumado a avaliar, como o trampo dos caras da Overhead Rock,  que carinhosamente chama-se Ressaca.

Julgando pela capa, logo nos vem na cuca uma banda tipo o saudoso Motörhead, Baranga e afins, mas não é bem o que André Moreno (voz e guitarra), Bruno Bevenutti (guitarra), Brendel Alba (bateria) e Ivo Ferreira (baixo) fazem aqui. 

Praticantes de um rock and roll despojado que em muitos momentos bate na porta do pop acertam  a mão em muitos momentos, com canções que agradará em cheio fãs do estilo e mesmo aqueles que ouvem todo o tipo de música. Isso acontece graças ao talento dos envolvidos, em especial dos vocais de André, que tem como referências James Hetfield (Metallica)  e Chad Kroeger (Nickelback), que são o ponto alto do trabalho.

Músicas como Overhead, a energética Tangente, a elaborada Evolução e a balada Situações Incertas mostram que músicos na mesma vibração tendem a fazer músicas especiais.

A única ressalva fica por conta de algumas passagens mais acessíveis, como em Muro, que geram uma interrogação na cabeça do leitor, pensando o que o futuro reserva ao grupo. Se continuarão no rock ou abraçarão o pop. Não por ser um fã do estilo, mas torço para que os caras continuem no rock and roll.

11 de janeiro de 2016

MARENNA: "A IDEIA ERA APENAS LANÇAR AS MÚSICAS E VER O QUE ACONTECIA"

Não é novidade pra ninguém que o hard/AOR está retomando o seu espaço aqui no Brasil. E o mais importante disso tudo é que não é apenas por lançamentos de grupos do exterior, mas sim com grupos nacionais apostando no estilo. A lista é grande, pois temos nomes como Crossrock, Pop Javali, Dirty Glory, entre muitos outros arrebatando fãs aqui e lá fora com uma música competente e acabamento gráfico/sonoro que não deve nada as bandas americanas e europeias.

Um exemplo é a nossa entrevistada de hoje, o Marenna. Liderada pelo vocalista Rodrigo Marenna, graças a ótima repercussão do EP My Unconditional Faith, chamou a atenção do selo dinamarquês Lions Pride Music, que lançou o trabalho pela Europa e Japão.

Nessa entrevista, Rodrigo nos conta da aceitação do trabalho, planos futuros e das letras do grupo, que exaltam positividade sem cair na religião.

Por João Messias Jr.

My Unconditional Faith
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Vamos iniciar essa entrevista de uma forma diferente, começando do hoje, pois algo muito bacana aconteceu em sua carreira, que foi o lançamento do EP My Unconditional Faith na Europa e Japão pela Lions Pride Music. Como se deu esse acordo e a repercussão do trabalho mundo afora?
Rodrigo Marenna: Bom, primeiramente, obrigado pelo espaço e a todos que estão apoiando o nosso trabalho, bem como, aos que estão separando um minuto do seu dia para dar atenção a esta entrevista. Para mim ainda é tudo muito novo, pois esse projeto começou a ser mentalizado há cerca de três anos atrás, certamente os meus quase 25 anos de experiência me fizeram chegar a cada linha do que foi feito neste EP, mas realmente, lançar um CD em outros países veio de “bônus” no contexto, pois a ideia era apenas lançar as músicas e ver o que acontecia, e de repente, a gravadora descobriu nosso trabalho e resolveu apostar, diariamente temos muita gente de outros lugares entrando em contato, resenhas em veículos especializados sendo publicadas e em sua maioria, todas com conceito muito positivo, então acredito estarmos ainda colhendo os frutos dos últimos 12 meses de trabalho, mas simultaneamente, plantando coisas novas, a tendência é o projeto se estabilizar daqui um tempo e conquistar sua base de fãs, crescendo gradativamente com consistência e credibilidade, é o que esperamos.

NHZ: Para esse lançamento, você incluiu a música Life Goes On, que em relação as outras faixas, apesar de manter o pique hard/AOR, tem uma pegada mais europeia.  Essa faixa foi feita exclusivamente para o lançamento?
Rodrigo: Essa faixa na verdade ficou pronta posteriormente ao lançamento do CD aqui no Brasil em abril deste ano, quando veio o contrato da gravadora, acabamos decidindo por incluí-la ao lançamento europeu, o que acabou agregando um valor maior ao EP europeu.

NHZ: O que podemos esperar mais para a frente com esse acordo? O lançamento de um álbum e até uma tour pela Europa/Japão?
Rodrigo: Ainda é cedo para dizer qualquer coisa sobre isso, porém as portas estão abertas, nosso relacionamento com a gravadora é muito transparente e muito direto, mas acredito que o passo tem que ser dado de ambos os lados, então vamos aguardar o desfecho do EP, reavaliar e estudar todas as possibilidades.

Rodrigo Marenna
Foto: Gustavo Vera
NHZ: Você é do Rio Grande do Sul, da região Sul do País, que possui uma cena totalmente independente do resto do país. Como compara a cena musical do seu estado em relação a capitais como São Paulo e Rio de Janeiro?
Rodrigo: Olha, eu acho que a cena anda igual para todos os cantos do país, na realidade não devemos nos apoiar nela, ou ficar esperando que as pessoas descubram o nosso som, ou algum tipo de subsídio, está difícil para qualquer lado manter a cena autoral, o que as bandas têm que ter em mente é o seu objetivo, conhecer seu público e saber como chegar nele. O último passo, apostar, criar oportunidades e se jogar.

NHZ: Agora falando um pouco mais do EP em si. O trabalho possui características marcantes como as melodias e vocais bem encaixados e as letras, que sugerem alto astral, positividade e motivação para seguir adiante, sem levantar a bandeira de nenhuma religião.

Rodrigo: Com referência ao estilo de cantar, posso dizer que está diretamente ligado ao tempo que estudo, já tem mais de 20 anos, mesclando influencias e gosto pessoal, acabei por desenvolver meu estilo de compor e cantar, não há uma regra, eu deixo a música fluir. Com referência a mensagem do CD, é exatamente esse o contexto, porém, algumas pessoas ainda o confundem, por ter a palavra “Faith”, acham que o material é cristão ou algo do tipo, esclarecendo.... NÃO tem nada relacionado com religião alguma, apenas fala da fé de um homem em sua música e nas coisas em que ele acredita, a estrada representa todo o caminho que foi percorrido, as rachaduras são todos os momentos difíceis que esse cara passou para chegar até aqui. E prega o fato de que só você pode mudar o seu destino é isso....

NHZ: Ainda falando sobre as letras. Tudo bem que vivemos num país livre e que cada um escreve/prega o que quiser, mas achei bacana o tipo de temática adotada no trabalho, pois hoje a vulgaridade e o negativismo fazem parte do contexto de vida da população.
Rodrigo: Exato, vai ter público sempre para qualquer tipo de material, eu apenas escrevo o que eu conheço e acredito, tento passar a minha mensagem da forma mais clara possível ao meu público e me jogo nas minhas músicas sem esperar nada em troca.

Rodrigo Marenna
Divulgação
NHZ: Aqui no Brasil temos um crescimento significativo de bandas de hard/AOR. Bandas como Crossrock e Pop Javali se destacando pelo país e no exterior. Além dessas, há alguma banda que destaca?
Rodrigo: Sim, nos últimos 12 meses após o lançamento do meu primeiro single, comecei  a perceber um crescimento das bandas deste segmento no mercado, hoje me orgulho de termos um time bem forte de várias bandas com material diferenciado no Brasil, sem ser injusto, acho que seria injusto levantar alguns nomes e esquecer de outros, mas basta o pessoal que realmente consome este tipo de música ficar ligado nos grupos de Facebook, revistas e sites especializados, youtube e outras mídias sociais do momento, hoje em dia, a globalização permite essa troca de informação com muita agilidade e de forma extremamente acessível.

NHZ: Linhas acima falamos sobre o lançamento de um álbum full. Quais os planos em relação a esse projeto?
Rodrigo: Estou em fase de testes de novos elementos, vendo o que funciona e o que não funciona, porém existe sim um desejo de um full, por hora, ainda vamos trabalhar um tempo na divulgação do EP, e lançar um single novo em alguns dias, este que foi produzido pelos irmãos Busic, e cada vez mais nos aproximarmos dos nossos amigos e fãs e quando for a hora, com certeza, haverá mais material novo.

NHZ: Obrigado pela entrevista. O espaço é seu!
Rodrigo: Imagina, eu que agradeço o espaço, e deixo aqui a mensagem de agradecimento a todo mundo que está defendendo a nossa bandeira, seja compartilhando, ou comprando nossos materiais, às bandas parceiras, minha assessoria de imprensa, familiares, amigos, enfim, que venha 2016 cheio de sonhos, desafios e muita coisa boa para todos!!!

5 de janeiro de 2016

CARTOON: "TRABALHAR COM A EMOÇÃO SEMPRE FOI NOSSO OBJETIVO PRINCIPAL"

A técnica é importante na música, mas ela não é tudo. De que adianta notas complicadas e inusitadas se elas não comovem o ouvinte? Esse é o ponto de partida para falar dos mineiros do Cartoon. Contando hoje com  Khadhu Campanema (baixo e voz), Khykho Garcia (guitarra), Bhydhu Campanema (bateria) e Raphael Rocha (teclados), exímios músicos, que preferem deixar o virtuosismo de lado e explorar a emoção das canções, algo evidenciado em todos os seus trabalhos, em especial "Unbeatable" (2013), que é recheado de melodias e climas suaves e vocais hipnotizantes. Nessa entrevista feita com Khadhu, o músico nos conta da repercussão do trabalho, shows no exterior e a amizade com o pessoal do Tuatha de Danaan.

Por João Messias Jr.


Unbeatable
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Como eu disse numa resenha feita para o mais recente trabalho de vocês, “Unbeatable” (2013), o álbum é guiado pela emoção, focado nas melodias, climas e suaves linhas vocais. O que pensam sobre a comparação e o que as pessoas vêm achando do trabalho passado mais de um ano do seu lançamento?
Khadhu Capanema: Trabalhar com a emoção sempre foi nosso objetivo principal. Ao longo da carreira usamos métodos diferentes, mas o objetivo sempre foi este, emocionar. Este novo disco foi muito bem recebido, mesmo com tantas mudanças que introduzimos no som e acredito que o motivo principal é este. Continuamos trabalhando com a emoção, dizendo as nossas verdades da maneira que melhor conseguirmos expressa-la no momento.

NHZ: “Unbeatable” foi financiado por um fundo de cultura, que ao lado do crowdfunding vem sendo a saída para as bandas independentes lançarem seus trabalhos. Sabendo que deve-se seguir alguns trâmites, como foi essa parte burocrática para conseguirem bancar “Unbeatable”?
Khadhu: Sempre trabalhamos a música primeiro e, paralelamente, buscamos a maneira mais viável pra realizar as gravações e lançamentos. Já lançamos dois trabalhos usando a Lei de Incentivo a Cultura e dois trabalho usando recursos próprios. O “Unbeatable” foi através da Lei Municipal de BH. Aprovamos o projeto e conseguimos captar o recurso junto a empresas da cidade. Dá bastante trabalho cumprir toda a burocracia, mas vale muito a pena, pois conseguimos fazer uma gravação e mixagem de altíssimo nível.

NHZ: Alguns destaques ficam por conta de “Promises”, “Until I Found You” e principalmente “On the Judgement Day”, que inclusive tem um vídeo de promoção. Além dessas há alguma outra faixa que tem se destacado no gosto das pessoas?
Khadhu: “Down on the Road Ahead”, faixa que abre o CD, é uma canção obrigatória em nossos shows, mesmo antes de lançarmos o disco. Foi o primeiro vídeo clipe que fizemos para este CD. The Golden Chariot e Time is running também ganham muito destaque, especialmente nos show fora do Brasil.

Cartoon
Foto: Vitor Maciel
NHZ: Como foi dito na primeira questão, as linhas vocais são suaves, emotivas e cativantes, que nos fazem sentir sensações diversas, desde pegar o encarte para pegar as letras e por que não, chorar de tanta emoção. Conte-nos sobre a criação das linhas vocais para este trabalho?
Khadhu: Quando se cria uma melodia, as possibilidades são infinitas e muitas vezes é difícil escolher qual o caminho a seguir. Procuramos criar melodias que expressem bem o que está sendo dito nas letras e que funcionem bem com nossas vozes. O ideal é que melodia, letra e timbre formem uma coisa só, tornando a mensagem da música poderosa e certeira. São as melodias que carregam grande parte da emoção da música, por isso damos tanta importância a elas. No entanto, a verdade é que, muitas vezes, a primeira ideia melódica é a que acaba ficando, pois ela vem carregada da emoção que gerou a música. Depois é só fazer pequenos ajustes pra lapidar, se for necessário e pronto.

NHZ: Para promover o trabalho, vocês fizeram um giro por algumas cidades da Europa e Estados Unidos. Dentre eles, vocês foram banda de abertura para Bobby Kimball (ex-Toto). Como pintou a oportunidade de se apresentarem por lá e como foi o saldo dessa tour?
Khadhu: Hoje temos um empresário e uma produtora nos Estados Unidos que cuidam de nossas turnês e outras coisas por lá. Eles foram os responsáveis por fechar esta tour pela costa oeste em 2015, incluindo este show que você citou no Whisky a Go Go. Os shows na Europa foram agenciados por nós mesmo em 2014 através de contatos que fizemos pela internet com festivais e casas de shows. As viagens para o  exterior sempre nos trouxeram grandes retornos em todos os sentidos. Conhecemos novas pessoas, músicos, bandas, amigos e parceiros. Conquistamos novos fãs e acima de tudo amadurecemos como banda.

NHZ: Ao voltarem desse giro, como comparam o circuito de shows com o do Brasil?
Khadhu: Existe uma organização e uma tradição maior com relação ao circuito de festivais e shows fora do Brasil. Também acho que existe mais opção para uma banda de rock, apesar de que, no mundo todo, o rock deixou de ser a primeira opção do público já faz algum tempo. Temos achado mais fácil montar uma agenda de shows fora do Brasil do que dentro, por incrível que pareça. Em todos os lugares existem coisas boas e ruins. Você precisa aprender a tirar o melhor de cada oportunidade. Levando em conta que somos uma banda de rock que canta em Inglês a maior parte do tempo, o mercado pra nós em países de língua inglesa é bem interessante.

Cartoon
Divulgação
NHZ:Mudando de assunto, vocês possuem uma grande amizade com o pessoal do Tuatha de Danaan. Inclusive o vocalista Khadhu participou do Kernunna, projeto solo do vocalista Bruno Maia. Conte-nos dessa brodagem e o que acham do retorno dos duendes mineiros?
Khadhu: Sou fã do trabalho do Tuatha e acho que eles têm tudo a ver com o Cartoon. Fico muito feliz que eles estejam produzindo de novo. O trabalho deles é único e merece ser reconhecido no mundo todo. Foi um prazer gravar o disco do Kernunna. Infelizmente, a mixagem do disco deixou muito a desejar e espero poder refazê-la em breve, pra fazer justiça a este trabalho magnífico.

NHZ: Para encerrar, como comparam a banda que lançou “Unbeatable” com a que lançou álbuns magistrais como Martelo e Bigorna?
Khadhu: O Cartoon sempre foi e sempre será o mesmo. Isso significa que estaremos sempre mudando, crescendo e experimentando coisas novas. Nossos verdadeiros fãs entendem isso e acompanham nossa caminhada com muita expectativa. Cada trabalho nosso reflete o que a banda é naquele momento e por mais que mudemos alguns elementos, a essência é sempre a mesma. Nosso compromisso é fazer música com verdade e emoção. Tocar as pessoas e fazer com que elas acreditem no sonho e na possibilidade de um mundo melhor. A isso dedicamos nossas vidas há mais de 20 anos.

NHZ: Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!


Khadhu: Muito obrigado a New Horizons Zine pela oportunidade de compartilhar nossas ideias e a todos que seguem em “resistência” a favor da arte, seja como músicos, produtores, artistas, jornalistas, ou simplesmente expectadores e ouvintes. Cada um de nós é fundamental nesta cadeia e nossa luta não será em vão. Together we’re unbeatable!

4 de novembro de 2015

OS RUMOS DO METAL TRADICIONAL

Bruttalian, Syren e Rygel mostram em seus mais recentes trabalhos a evolução da semente lançada por bandas/artistas como Fight e a carreira solo de Bruce Dickinson

Por João Messias Jr.

Cabelos cheios de franjas, guitarras dobradas, roupas de couro e uma gravação crua e agressiva eram sinônimos do que era o metal tradicional durante a década de 1980. Período que lançou discos obrigatórios na prateleira e mente de muitos headbangers. Alguns exemplos ficam por The Number of the Beast (Iron Maiden) e Screaming for Vengeance (Judas Priest), isso sem falar em nomes como Helstar, Manilla Road e Metal Church, que mesmo não atingindo o mainstream, cravaram seu lugar como ícones do estilo.

E como nada é eterno, o estilo necessitou de algumas adaptações. Novidades que vieram em forma de uma produção mais encorpada e uma dose extra de peso e variedade  no instrumental e nos vocais. Quem não se lembra do lançamento de War of Words (Fight), Heart of a Killer (Winter's Bane) e The Chemical Wedding (Bruce Dickinson), que apesar das raízes fincadas no metal tradicional, apresentaram um sopro de renovação. O que é foi muito bom, pois abriu portas para que pessoas mais novas apreciassem essa vertente musical.

Passadas mais de duas décadas, esses trabalhos, além de seu legado incontestável, trouxeram (e continuam trazendo ao mundo), álbuns que vem resgatando esse tipo de sonoridade. E aqui no Brasil não é diferente. Basta uma chegada na internet para depararmos com bandas apostando cada vez mais nessa tendência. Para essas linhas, escolhi três bandas que mostram a riqueza, variedade e qualidade das bandas daqui: Bruttalian, Rygel e Syren.


Bruttalian: Blow on the Eye

Os maranhenses do Brutallian tem tudo para elevar o nome do Maranhão graças ao seu debut, Blow on the Eye.

As referências do metal tradicional (em especial Judas Priest) são enriquecidas com doses letais do thrash americano. Até aí nada de diferente, mas o que diferencia Blow on the Eye dos demais é a forma que isso é empregada, com vocais que não são agressivos o tempo todo. Temos aqui vozes que intercalam agudos, graves, berros e um tempero sarcástico que dá todo um diferencial, como podemos ouvir em You Can't Deny Hate, Hell Is Coming With Me e na faixa título. Apesar da melhor faixa ser Black Karma, graças ao trabalho de ponte/refrão envolvente, que te faz inclusive pegar o encarte e acompanhar a canção até o fim de sua execução. Coisas que nesses tempos de internet é algo no mínimo sensacional!

Só que nem de bate cabeça vive o disco. Temos uma breve momento de calmaria em Psycho Excuse, que tem um ar de Johnny Cash mais pesado e sombrio, mas como disse, é algo passageiro e o peso logo volta ao trabalho. 

Os caras se preocuparam com tudo. Músicas, trampo gráfico excepcional, capa marcante, que são sinais de uma banda que tem tudo, mas tudo mesmo para ter uma carreira duradoura e de sucesso. Digo isso pois Blow on the Eye é apenas o debut.
www.facebook.com/brutallian


Rygel: Revolution

Seguindo a linha iniciada no álbum anterior, Imminent, o Rygel oferece surpresas em seu novo trabalho, Revolution. A primeira, e talvez a mais marcante fica pela estreia do guitarrista Wanderson Barreto nos vocais, que faz um bom trabalho.

Musicalmente, a banda insere uma pegada mais moderna e agressiva em meio ao seu prog/power, o que dá um ar criativo e empolgante com essa fusão de estilos. 

Save Me e Before the Dawn chamam a atenção pelo refrão feito pra cantar junto; Worst in Me pela agressividade e The Story Begins pelo excelente trampo das guitarras.

Outros destaques ficam por conta de Repentance, que conta com a participação de Nando Fernandes (Hangar, Cavalo Vapor), que também produziu os vocais do álbum e Damage Done, que conta com uma bela interpretação vocal.

Aliada a música apresentada aqui, vale destacar o trabalho do encarte, que fogem do esquemão tradicional, com um ar mais despojado que combinam com a proposta do quarteto.

Não há mais o que dizer, apenas que o quarteto formado por Wanderson, Vinnie Savastanno, Ricardo Reis e Pedro Colangelo lançaram um trabalho consistente que tem tudo para render frutos ao grupo.
www.facebook.com/RygelOfficial


Syren: Motordevil

Talvez a mais fiel ao estilo desse texto. Apesar disso, a fidelidade não se resume a comodismo ou zona de conforto, pois a música recebe uma dose extra de peso, reforçada pelos backing vocals e orientação thrash do instrumental, que somada ao talento do vocalista, faz uma mistura agradável e feita para bangear.

Alguns momentos ficam por conta da contagiante faixa que nomeia o trabalho, Rebellion, You're Gonna Die e a épica The Prophecy of Marduk, além do talento do vocalista Luiz Syren, graças ao seu timbre a lá Bruce Dickinson garante a audição do trabalho.

A embalagem do trabalho condiz com o material de áudio, com uma capa chamativa e um encarte simples, mas com todas as informações necessárias, que não é necessário fazer algo esmerado para chamar a atenção, provando que o menos é mais. Muito mais no caso de Motordevil.
www.facebook.com/Syrenmetalband

Três álbuns, cada qual a sua maneira reproduzem com qualidade e autenticidade o melhor do metal tradicional. Estilo que através das mutações, vem se mantendo vivo e arrebatando fãs mundo afora!

22 de setembro de 2015

WAGNER GRACCIANO: "VAMOS DEIXAR DE SER GUITARRISTAS E NOS TRANSFORMARMOS EM MÚSICOS"

Discos solo de guitarristas (em especial os instrumentais) são em grande parte um emaranhado de técnica e malabarismos desnecessários, que em muito, só consegue arrancar aquele tipo de coisa:"Ah, esse cara toca pra caramba, mas não sabe compor. O que não acontece quando ouvimos "Across the Universe", novo trabalho do guitarrista Wagner Gracciano.

Unindo virtuose e melodia, o disco é uma espécie de resposta aos malabarismos que ouvimos por ai. Nesta entrevista ao New Horizons Zine, o músico nos conta da repercussão do CD, projetos, outros guitarristas e muito mais!

Por João Messias Jr.

Across the Universe
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NEW HORIZONS ZINE: Wagner, você lançou em 2013 o seu primeiro álbum “Across the Universe”. Passados dois anos do lançamento, o que está achando da repercussão do mesmo perante público e mídia.
Wagner Gracciano: Os tipos de música menos favorecidos pela mídia popular não tem espaço no Brasil  e tem caído muito, por incrível que pareça. A música instrumental autoral tem perdido força frente aos vídeos de 1 minuto com improvisação, guitarristas tem feito carreira sem ter feito um disco na vida. Dentro desse quadro a receptividade do público ao álbum foi muito positiva dentre as pessoas que curtem a música instrumental, e morna no público que curte improvisação. Mas é compreensível, pois nos tempos modernos onde temos que dividir espaço com milhares de vídeos e músicas de todos os tipos pouca gente tem tempo para escutar uma música com mais de 4 minutos. Fora do Brasil o cenário é bem diferente, existe uma cultura que consume e prestigia esse tipo de música, o que foi muito bom para o meu trabalho, onde consegui muito mais atenção pelo público internacional. Para você ter uma ideia, de todas as vendas do disco 92% delas foram nos EUA, Europa e Ásia, apenas 8% foram no Brasil.

NHZ: O trabalho é dedicado a música instrumental, que prima pela variedade de estilos. Nele podemos encontrar desde momentos mais “guitarrísticos” como “Journey Into the Unknown” até coros do gospel tradicional como “As a Prayer”. Como encaixar vertentes distintas e mesmo assim manter a unidade do disco?
Wagner: Eu sempre fui assustadoramente eclético (risos). O trabalho é só um reflexo do que escuto diariamente, não conseguiria seguir um estilo apenas, Rock Progressivo é o mais perto que consigo classificar, pois teoricamente é o estilo que recebe mais influencias diferentes. Uma coisa que aprendi com a música erudita é ter um ou dois temas principais e tentar ligar todas as peças através deles, é basicamente isso que tentei fazer, criar uma história e conectar cada momento atrás do mesmo tema.

NHZ: “Across the Universe” foi produzido por você, mas a masterização do trabalho foi feita por Adair Daufenbach, o que deixou o álbum com um som jovial e marcante. O que o motivou a contar com este profissional tão conhecido em outros estilos como o metalcore?
Wagner: Sempre percebi que muitos trabalhos instrumentais não primavam pelas produções e sonoridade, sempre muito focados na parte de execução e solos, o que é natural, claro que os clássicos do estilo fizeram história. Quando ouvi o som do Adair gostei demais da timbragem e o cuidado com a sonoridade, imaginei que essa mistura ia fazer o trabalho ganhar outra vida, e não deu outra. Adair tem um ecletismo e um interesse em explorar o novo que casam perfeitamente com o som que eu faço, inclusive outros trabalhos que produzi faço questão de ter sua sonoridade em estilos totalmente fora do contexto rock. Tornou-se um amigo e com certeza essa parceria vai continuar nos próximos trabalhos.

Wagner Gracciano
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NHZ: Falando no gospel, você é cristão e não esconde sua fé, pois no encarte do álbum colocou todas as referências bíblicas que o levou a escrever as canções. Você já enfrentou algum tipo de preconceito por isso?
Wagner: Muitos, sofro diariamente. Adotei uma linha de trabalho honesta, mas muito perigosa quase suicida (risos). Não me considero parte do mercado gospel por questões de ideologia e orientação, pois trato música como forma de arte e vivo dela. Acho esse rótulo muito limitador, pois se formos colocar em cada ideologia musical um estilo diferente de música vamos ter Motoqueiro Metal, Cara que leva Chifre Metal, Cara que quer comer mulher Metal, Cara que acredita em Caverna do Dragão Metal, Cara que é contra o governo Metal (risos), enfim, sou cristão e não sou obrigado e rotular minha arte por isso, nem para o meio cristão nem para fora da igreja. Fora do meio cristão, muita gente já deixou de conhecer meu trabalho por isso. A galera acha que no meio do meu disco vai começar “Entra na minha casa, entra na minha vida...”(N.do R.: Música do cantor gospel Régis Danese).Mas não, é música instrumental apenas. O fato é que sou cristão e isso faz parte da minha vida, seria uma tremenda hipocrisia e covardia esconder isso na minha arte pois ela faz parte de quem eu sou. Não quero ser rotulado por isso, pois quero levar a música para todos os lugares possíveis. Não sou músico gospel, meu som não é só para igreja, mas não escondo quem eu sou. Faço música e vivo dela, deixo espaço para cada um interpretá-la como quiser.

NHZ: Para viabilizar o álbum, você foi atrás da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do seu estado. Podemos dizer que é uma vitória, visto que este tipo de benefício é concedido em sua maioria a artistas de estilos de maior alcance popular. Conte como foram as negociações e qual a satisfação pessoal de soltar um disco de rock com um apoio cultural?
Wagner: Os editais estão abertos em todos os Estados, prefeituras e tem a lei federal também. Às vezes faltam projetos para serem avaliados, pois nós, os músicos, não ficamos atentos e deixamos a oportunidade passar. As leis foram feitas para artistas como nós que não tem condições de fazer trabalhos de qualidade do próprio bolso, então temos que correr atrás e fazer parte delas. Nos editais tem todas as informações de como fazer um projeto, está ao alcance de qualquer um. Uma coisa importante, não só para as leis, mas para a carreira de músico como um todo é sempre ter um currículo atualizado, com todos os folders, cartazes de eventos que participou, é um mercado competitivo e precisamos nos posicionar o tempo todo.

Wagner Gracciano
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NHZ: Essa conquista sua me fez refletir em uma questão. Hoje as pessoas preferem criticar o mundo da música em geral por ser um processo caro de se gravar um disco, o que é verdade. Mas a maioria delas não se preocupa em buscar alternativas como editais de cultura e formas alternativas como o crowdfunding. O que pensa sobre isso?
Wagner: É exatamente isso. Em geral o músico se prepara para tocar, dar aulas e pronto, tem dificuldades de falar em público de expor ideias com clareza, ter uma posição dentro da sua arte. Se as pessoas lessem mais e comentassem menos na internet o mundo seria bem melhor. Muita gente comenta sobre as leis sem ter o mínimo conhecimento sobre o assunto, na verdade, grande parte dos comentários sobre qualquer assunto na internet é sem ter o menor conhecimento. Nós somos artistas, nossa missão é levar arte e cultura ao povo, a música é um bem da humanidade, vamos nos valer disso para buscar alternativas e saber se posicionar no mercado.

Além da música em si, o que chama a atenção é o fato de ser um músico atuante no seu estado, em Goiás. Você ao lado de outros músicos, criou o Gyn 3. Conte mais deste projeto e qual a repercussão dele no estado e se pensa em levá-lo para outros estados, como São Paulo.
Wagner: Música é uma profissão muito difícil por si só, então precisamos nos movimentar o tempo todo. Se não tem espaço na cidade, invente, junte um grupo de amigos e faça barulho, descubra lugares para fazer apresentações e seja generoso. Uma coisa que fico triste de ver no mercado, e uma coisa que creio estar matando a música instrumental, é que o artista está unicamente interessado em se promover, e muitas vezes fazer com que as outras pessoas ignorem seus colegas, como se o fato do outro não ser visto vai garantir algum sucesso a mais. O Gyn3 foi uma ideia justamente do contrário. Se eu quero ter espaço para tocar preciso dar espaço para os outros. Criamos o evento para que guitarristas consagrados, músicos de forma geral e novos talentos através do concurso possam ter um espaço para mostrar seu trabalho. Isso criou uma cena na cidade que movimentou várias pessoas, onde colocamos em prática a ideia que coloquei no parágrafo acima: se aqui estava sem lugar para tocar, vamos criar espaço para todo mundo e automaticamente estarei criando um espaço para mim também. Devemos ser críticos ferrenhos do mundo ao nosso redor, mas mesmo sabendo das adversidades, inclusive da nossa profissão, devemos tirar a bunda da cadeira e fazer a coisa acontecer. A galera fica reclamando que não tem lugar pra tocar, mas quer criar um espaço para ele tocar sozinho achando que ele vai fazer mais sucesso por isso. Fazer um movimento musical é mais efetivo que ficar fazendo show pra meia dúzia de alunos (porque os colegas músicos não vão). Isso é uma coisa muito bacana aqui em Goiânia, todo mundo vai ao evento de todo mundo e no final sai pra tomar uma (risos). Seria maravilhoso conseguirmos levar essa ideia para outras regiões do Brasil, vamos trabalhar quem sabe da certo.

NHZ: Você já fez promo-tours aqui na capital paulista. Qual a importância deste tipo de trabalho na divulgação de sua música?
Wagner: Sempre bom poder falar do trabalho, expor as ideias musicais para as pessoas terem uma visão melhor da sua arte. O músico é um comunicador, e quem não pensa assim perde grandes oportunidades. Foi muito bacana estar em São Paulo e também nas outras regiões falar de música, composição, guitarra, enfim, falar do nosso universo é uma das grandes recompensas da minha profissão.

Wagner Gracciano
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Ainda falando na terra do Túlio Maravilha, outro guitarrista de destaque em seu estado é Walsuan Mitterran. Queria saber se conhece o trabalho do músico e caso positivo qual sua opinião.
Wagner: Grande músico. Goiânia tem grandes artistas, mas não sei o que acontece que tem pouco espaço fora daqui. Aqui dentro conseguem lotar eventos, ter seguidores, e fora do país também, mas no resto do Brasil não sei o que rola. Aqui a faculdade de música da UFG tem grandes nomes da música que viajam o mundo inteiro, como Fabiano Chagas, Diones Correntino, Eduardo Meirinhos, Pedro Martelli, mestro Jarbas Cavendish, Emanuel Gomes (que arranjou as cordas do meu disco) músicos incríveis como Bruno Rejan, Guilherme Santana, Roberto Milazzo e muitos outros que são de nível internacional. Aqui estou mais envolvido no meio da galera fusion e jazz que na galera roqueira mesmo, apesar de sempre abusar de drive nos shows (risos). Mas vejo as pessoas aqui mais preocupadas com o ao vivo e no contato direto que apenas na internet, ai acaba fazendo a ponte daqui direto pra fora, sem passar por Rio-São Paulo.

NHZ: Visto que estamos em 2015, podemos esperar um álbum de inéditas para este ano?
Wagner: O novo disco já está praticamente arranjado e já no processo de gravação. Desta vez vai ter algumas músicas cantadas, vou apostar numa nova estética. Está sendo feito em cima de uma nova história, mais crítica e contextualizada, um clima mais tenso. Além dos músicos que sempre estão comigo, vou contar com algumas participações. Por isso resolvi esperar para fazer o DVD dos dois primeiros discos com um material mais rico e histórias novas para contar. Fora que esse ano a agenda da workshops, shows e master classes estão bem bacanas.

Wagner Gracciano
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NHZ: Muito obrigado pela entrevista. Deixe uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine.

Wagner: Muito obrigado ao New Horizons Zine pelo espaço, sempre muito bom falar com a galera. Uma coisa que sempre deixo é que temos que sair do quarto. O contato humano, a imprevisibilidade e a emoção de um show ao vivo foi o que fizeram a música algo tão mágico, e estamos trocando grandes mentes artísticas por vídeos de 1 minuto. Vamos apreciar a arte, deixar de ser guitarristas e nos transformarmos em músicos.

26 de fevereiro de 2015

WAGNER GRACCIANO: ROCK INSTRUMENTAL NA TERRA DO SERTANEJO

Guitarrista goiano explora fusão variada de ritmos em seu primeiro álbum "Across the Universe"

Por João Messias Jr.

Across the Universe
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Se perguntar ao público sobre as riquezas que Goiás exporta para outros cantos, alguns dirão duplas sertanejas, outros as águas quentes de Caldas Novas e os mais fanáticos, os gols de Túlio Maravilha. Embora proporcione/proporcionou tudo isso, o estado localizado no Centro Oeste do país produz rock dos bons, em especial a música instrumental, por meio de guitarristas talentosos como Walsuan Miterran e Wagner Gracciano, que lançou em 2013 o álbum "Across the Universe", o qual falaremos linhas abaixo.

Com um repertório que abrange estilos variados como o rock, jazz, fusion e o gospel americano, o guitarrista transborda versatilidade e bom gosto, se saindo bem em todas as vertentes exploradas, embora os momentos mais na linha Satriani chamam a atenção de primeira, como Journey Into the Unknown, que eleva o astral lá nas alturas com tanta positividade que a canção emana.

A seguinte, Broken System é mais introspectiva e cria um interessante contraste, assim como a faixa que nomeia o CD, com belas melodias. À partir daqui, a bolachinha ganha outros contornos, passeando pelos estilos citados no parágrafo anterior, onde os coros de As A Prayer chamam a atenção, assim como a progressiva Act I (A Breath of Life), que retoma o pique adrenalínico inicial.

Act III (The Evil Governement and the Birth of God) é a mais pesada e variada, alternando cordas graves com momentos mais suaves, que é a deixa para Act IV (The Ressurection, the Victory and Eternity), que encerra o trabalho esbanjando positividade, o que é facilmente desvendado devido a orientação cristã, tendo as passagens bíblicas que inspiraram as canções no encarte.

Talvez o fato de "Across the Universe" ser tão variado, pode dividir opiniões, mas comentários e discussões a parte, não há como negar que se trata de um material bem trabalhado e o mais importante: mostra que a música instrumental não fica restrita a São Paulo.

16 de fevereiro de 2015

ELECTRIC BLUES EXPLOSION: A FORÇA DO BLUES COM A MALÍCIA DO ROCK

"Quarteto gaúcho de southern rock mostra que força e agressividade não provém apenas dos ritmos mais extremos do metal"

Por João Messias Jr.

Strenght to go On
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Uma guitarra bem timbrada, conduções cheias de feeling e vocais que se alternam entre o bluesy e o falado. Assim podemos definir o conteúdo do DVD/CD "Strenght to go On", segundo trabalho do quarteto Electric Blues Explosion. Os gaúchos formados na época por Rodrigo Campagnolo (guitarra e voz), Nino Henz (baixo), César de Campos (bateria) e Graziano Anzolin (teclados), fizeram um material digno de elogios, o que é visto desde o acabamento do produto, em formato de papelão bem caprichado e as mídias em SMD, o que deixa o preço mais acessível.

Claro que de nada adiantaria se o conteúdo sonoro fosse de baixa qualidade. Longe disso, tanto o CD (estúdio) quanto o DVD (ao vivo), que possuem sets diferentes, mantém o ouvinte na poltrona por toda a duração dos materiais, além de mostrar que a nação brasileira possui ótimos nomes em todos os estilos musicais.

Apesar de materiais acertarem o quesito linearidade, o maior destaque fica para o DVD, que mostra a apresentação realizada na terra natal do grupo, Caxias do Sul, cujo local, o Teatro Prof. Valentim Lazarotto com seu formato mais intimista mostra ter sido a escolha certeira para o espetáculo, que fez que tudo (público e banda) se transformassem numa coisa só: música!

Canções como a certeira faixa que nomeia o material, Hold On to Your Faith. Lines In the Sand são alguns momentos que se destacam na primeira audição, embora os maiores destaques ficam por conta do blues acelerado de Just Fine e a melancólica Cowboy Hat, que podem ser consideradas as canções definitivas do grupo até aqui!

Ainda falando do DVD, a banda foi inteligente ao inserir pequenas entrevistas, cujos momentos de destaque ficam por conta de Campagnolo, quando este conta das dificuldades de quando estava na Inglaterra e da escolha do nome do trabalho de da faixa título, cuja tradução é "Força para Continuar", frase que todos devemos ter colada em nossas mentes para superar adversidades!

Indicado para fãs de grupos como The Black Crowes, Lynyrd Skynyrd e Joe Bonamassa, unindo o clássico e o novo sem descaracterizar nenhuma das vertentes.

8 de dezembro de 2014

FISHEAD: ALTERNATIVO,GRUNGE E HARD ROCK NO MESMO BARCO

"Formado por excelentes músicos, trio do interior paulista faz uma interessante mistura no álbum 'Greenhope', mas que requer alguns cuidados"

Por João Messias Jr.

Greenhope
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Com cinco anos de estrada e formado por excelentes músicos, o Fishead mostra ousadia em sua música. Fugindo um pouco do lugar comum, o trio formado por Danilo Martins (guitarra e voz), Alexandre Avila (baixo) e Rodrigo Kusayama (bateria) fundem influências diversas, como o hard setentista o grunge e alternativo, cuja mistura rendeu o álbum Greenhope.

O trabalho começa muito bem com a faixa título (também vídeo de divulgação), com uma linha instrumental mais solta e os vocais ora em discurso e alternando efeitos e a voz natural cativam o ouvinte, pois a linha vocal lembra um pouco Andria Busic (Dr. Sin).

A seguinte, Breathing for Help é um rockão movido a guitarras bem timbradas. Aliás, a gravação é muito boa, pois tudo está nítido, pesado e bem definido.Vale citar que a masterização foi feita no Sterling Sound, nos Estados Unidos, o que mostra o profissionalismo do trabalho.

Outro ponto alto fica para Fighting for Freedom, que é mais para o hard e as linhas vocais novamente são o maior destaque. Cantando de forma limpa, as melodias entram na cabeça do ouvinte, sem precisar do artifício de agudos e urros, mostrando a versatilidade do cantor, que também dá um show nas seis cordas aqui.

Uma pena que apesar de boas, as outras músicas do CD não possuam a mesma magia encontrada nos sons citados, em especial o meio do álbum, embora a pesada Walking to the Light feche de forma digna o trabalho, essa conduzida por riffs inspirados nos anos 70 e vozes introspectivas.

Fãs de grupos como Kings'X e Dr. Sin da fase InSINity irão gostar muito da proposta musical do Fishead.

20 de novembro de 2014

WALSUAN MITERRAN: BOM GOSTO E SENSIBILIDADE

"Feelings of the Soul", novo trabalho do guitarrista goiano apresenta uma música instrumental variada e sofisticada

Por João Messias Jr.

Feelings of the Soul
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Esse universo das resenhas acaba nos proporcionando a oportunidade de conhecer muita coisa que em situações normais jamais ouviríamos, em especial a música instrumental. Desde então, os meus ouvidos foram brindados com trabalhos de qualidade ímpar de caras como Marcos De Ros, Cauê Leitão, e músicos "bandeiros" como Rafael Iak (Woslom) e Thiago Oliveira (Seventh Seal) que possuem em comum o fato de agregarem novas texturas as canções, fazendo algo diferenciado e até com ares exóticos.

Mas Feelings of the Soul, novo álbum do músico Walsuan Miterran vai na contramão da busca de um novo conceito. Aqui o guitarrista faz uma espécie de tributo aos heróis da guitarra dos anos 80. Se pensou em caras como Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X), Jason Becker (Cacophony) e John Petrucci (Dream Theater acertou, mas aqui a melodia e a preocupação com o feeling são a prioridade. 

O início com Beyond the Sky e Heaven Or Hell dão indícios que será um trabalho voltado ao fusion e neoclássico, mas felizmente a partir de Death Is Not the End a coisa muda de figura, pois a bolachinha cresce em variedade e bom gosto, mesclando outros estilos, inclusive vertentes não tradicionais, como Metal Brasil, que como o nome  sugere é calcada nos ritmos regionais da nossa terra que ganha um bem encaixado acordeão (a cargo de Santhiago Lamass).

Outros momentos de muita comoção são Eternal Love e Water Under the Bridge, que mesclam progressivo, hard, AOR, melodias bem sacadas, além de ser um sopro de esperança aos desacreditados por qual seja lá os motivos.

Gos's Time investe no prog mais guitarreiro e Memories of You lembra muito as trilhas feitas por caras como Vai e Satriani, onde Walsuan mostra que aprendeu direitinho as aulas desses ases do instrumento.

Mas o nosso amigo guardou o melhor para o final. Versões playback para as já citadas Eternal Love e Memories of You, que acabam fazendo o leitor ouvir o trabalho por diversas vezes. 

Com Feelings of the Soul, Walsuan Mitterran cometeu a proeza de não apenas fazer a guitarra cantar, mas o ouvinte se emocionar e chorar.

11 de novembro de 2014

CARTOON: GUIADOS PELA EMOÇÃO

"Unbeatable", quarto trabalho do grupo, apresenta músicas versáteis que possuem como único intuito cativar o ouvinte

Por João Messias Jr.

Unbeatable
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É importante os músicos demostrarem técnica em seus respectivos instrumentos? Sim.

A qualidade da gravação deve ser limpa e cristalina? Com certeza!

O trabalho de arte, capa e encarte devem ser dignos de elogios? Claro!

Mas se não houver o principal ingrediente para que essa receita não desande, vai tudo por água abaixo. Os ítens citados acima até ajudam na concepção do trabalho, mas se as músicas não estiverem repletas de EMOÇÃO, de nada valeu investir no projeto.

Felizmente o quarteto mineiro Cartoon é um daqueles casos que crêem que canções precisam de feeling para que elas sejam imortalizadas nos corações das pessoas. Khadhu Campanema (baixo e voz), Khyko Garcia (guitarra e voz), Raphael Rocha (hammond  e piano) e Bhydhu Campanema (bateria) levam ao leitor ao positivismo, não sei se essa era a intenção, mas o quarto trabalho dos mineiros mandam todo tipo de sujeira pro lixo.

Apresentando influências do rock and roll e um pouco do pop, folk e música celta, o quarteto acerta por criar músicas distintas e ao mesmo tempo conectadas que não nos assustam pela mudança de direcionamento, como no rockão de abertura em Down on the Road Ahead e a seguinte, a introspectiva The Golden Chariot.

Mas essas foram apenas um gostinho, pois o melhor está por vir. Lembram da tal emoção? Pois é, ela aparece em todo o disco, mas as faixas Promises, Until I Found You e o encerramento com On the Judgement Day nos levam a refletir que o melhor da vida está na simplicidade e que a vida é feita de coisas "normais", como andar de braços dados com a pessoa amada, com cães e gatos ao nosso lado. Isso, aliado a música de qualidade nos fazem pessoas mais fortes e felizes, sem necessidade de muito dinheiro ou ostentação.

Não é preciso dizer mais nada né? 
www.cartoon.mu


28 de outubro de 2014

RED IN WHITE: POR DIAS MELHORES

Após um álbum bem sucedido, grupo passa pelas incertezas das mudanças de formação

Por João Messias  Jr.

Wildness Within
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Coisas que acontecem apenas na música...quando determinada banda passa por todas as etapas de produção, lapidação e finalização das canções. Daí lançam um excelente trabalho, se vêem impedidos de promove-lo, devido a mudanças de formação.  Mais uma vez a história prega uma peça com o grupo Red In White. De Florianópolis, o até pouco tempo quarteto fez logo no primeiro álbum full o que muitos grupos de hard rock tentam, mas batem na trave: apresentarem maturidade e malícia nos momentos certos, além de uma dose de peso nas guitarras.

As características descritas acima aparecem logo na primeira trinca. “Wildness Within”, “Like A Bullet” e “Chainsaw” já fazem valer a aquisição do álbum. Fazendo uma alusão com o estilo que o grupo toca, as outras faixas são como aquela mulher gata que faz um strip-tease, deixa sempre um gosto de quero mais, como em “Deep in the Fire” (inspirada em grupos como Ratt e Winger), os solos de “Desperate Dreams” e “Ashes & Fears”. 

Só que o melhor ficou para o fim. “Vendetta” (para quem foi destinada?), que mostra um lado que deve ser evidenciado em futuros trabalhos: andamentos quebrados com muito virtuosismo das guitarras, que somados soam como uma trilha de filmes de ação.

Não sei se proposital, a capa do grupo nos remete a bandas mais experimentais como o Tool, o que pode desagradar ou confundir os fãs de hard rock, mas ao passar das audições acabamos inclusive conectando a arte as músicas.

Vamos torcer para que os remanescentes Daniel Scarr (guitarra) e Felipe Martinez (bateria) encontrem os músicos certos para seguirem com o trabalho, que pelo foi apresentado aqui, NÃO MERECE parar.

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...