22 de junho de 2020

BRASIL: O PAÍS DA MÚSICA EXTREMA

Trio goiano apresenta receita voraz de como fazer death metal certeiro e extremo

Por João Messias Jr.

Demons of Hate
Divulgação
Pode parecer redundante, mas ao lado das cenas europeia e americana, a brasileira não apenas evoluiu, como pode ser considerada como um dos pilares da cena extrema. Bandas como Krisiun, Rebaelliun e Mental Horror são alguns exemplos de como o death metal "a brasileira" cravou seu lugar no topo da música extrema.

E se dependermos do Armum, essa escrita será mantida por muito tempo. Moys Henrique (guitarra), Camila Andrade (baixo/vocal) e Gesiel Coelho (bateria) fazem bonito no debut Demons of Hate (2019). Apostando num death metal que apresenta uma linha pesada, técnica e cadenciada, que faz vir num primeiro momento a banda dos irmãos Kolesne, talvez por fazer sons que "grudam" na cabeça, sem partir pro lance da velocidade. O que NÃO significa que os caras copiam e colam, pelo contrário, eles fazem um som na mesma vibe.

E após as audições, acabamos nos rendendo ao som do trio, que dá uma aula de técnica, bom gosto e refinamento. Após uma intro climática, a pancadaria corre solta em Blasphemy Storm e Eternal Decay, faixas que mostram as principais características da banda: extremidade e virtuosidade, evidenciando o dominio dos músicos em seus instrumentos.

Outras características aparecem no decorrer do álbum, como o clima mórbido presente en Evil Massacre e a porradaria come solta em Torture the Bastard, enquanto Death Comes mostra o nível técnico elevado dos caras.

O projeto gráfico também faz jus ao conteúdo sonoro. Material físico embalado em digipack, encarte completo com todas as infos necessárias, além da bela produção sonora, feito pela banda e pelo produtor Lucas de Castro.

Sem mais delongas, se for a sua praia, delicie-se! Parabéns Brasil, Parabéns Goiânia, Parabéns Armum!

11 de junho de 2020

UM TAPA NA CARA DAS CARTILHAS METÁLICAS

Novo trabalho encabeçado por Rafael Augusto Lopes mantém a ousadia presente no debut Another Sleepless Night
Por João Messias Jr.
Sailing
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Todas as vezes que ouço trabalhos de caráter  vanguardista, penso na seguinte frase que um professor disse na universidade, apontando o dedo na minha cara soltou a célebre frase: "mas o rock não é transgressor?". Confesso que fiquei um tempão sem entender a profecia. 
Só que hoje não apenas entendo o significado da frase, como "respiro" com intensidade seu significado. Pois o rock é um estilo musical muito rico, e prender-se em fórmulas seria se prender a algo, o que não combina em nada com a estética libertária do estilo.
Veja o Fanttasma, banda/projeto encabeçada por Rafael Augusto Lopes, guitarrista que tocou no Torture Squad, e em 2012 colocou o nome da banda no mapa do rock/metal com o álbum Another Sleepless Night, que embora tenha a base no gothic/doom metal, flertava com as mais variadas vertentes e com o inusitado. Afinal, quem não se lembra da Fernanda Lira (Crypta, ex-Nervosa) cantando no melhor estilo Janis Joplin em Life is War.
Pois bem, o tempo passou o nome Fanttasma volta ao jogo com um EP, chamado Sailing, que mais uma vez nos presenteia com a ousadia. Contando com vocalistas convidados. Ao mesmo tempo que abandona de vez a veia gothic/doom, mantém a conexão com o passado, graças aos climas, soando como trilha de filmes, o que aqui foi positivo.

A cereja do bolo foi que nas três músicas contamos com vocalistas convidados. Mars is Here, o primeiro single do trabalho, conta com May "Undead" Puertas (Torture Squad), num dos melhores registros da cantora, mostrando sua voz natural, evidenciando seu talento e o porque de ter tanto destaque na cena.

Major Overhaul conta com Victor Cutrale (Furia Inc.), que mostra uma composição que beira o pop, sem cair na pieguice, mais uma vez tendo a harmonia de voz/instrumental.

Sailing tem Daniel Wegan é a mais tétrica do disco, possivelmente aquele som que muitos conectarão com o debut, e ao mesmo tempo mantém a linearidade do EP, o que nos deixa querendo saber como será o segundo álbum dos caras.

Após a audição libertadora (sim, esses trabalhos vanguardistas proporcionam isso), me faz relembrar de que o rock é sim, transgressor e o Fanttasma é um belo exemplo de como se dá um tapa com luva de pelica nessas ditas cartilhas do metal, que convenhamos, é um troço chato pra caramba!
MARS IS HERE

7 de junho de 2020

EM GRANDE ESTILO E CABEÇA ERGUIDA

The Fool's Path é o último trabalho da carreira do músico

Por João Messias Jr.

Como em tudo no mundo e na vida, acabamos nos deparando com inúmeras situações em que nem sempre a competência é sinônimo de ter uma carreira bem sucedida. Na música, não é necessário ficar citando casos de cantores ou instrumentistas realmente talentosos que por um motivo ou outro não atingiram o estrelato, ou mesmo o reconhecimento no meio em que atua.

Fabiano Negri é um cara pra lá de experiente, tendo cantado em bandas como Rei Lagarto, Dusty Old Fingers e há um bom tempo tocando sua carreira solo, possui momentos brilhantes, mas que como citei linhas acima, acabou não atingindo um público maior, o que ele faz por merecer não é de hoje.

E isso se comprova em The Fool's Path, seu novo trabalho de estúdio. Passando bem longe dos "rocks e metais tendenciosos" que assolam o cenário, o cantor e multinstrumentista nos brinda com uma ópera rock, que vai ao encontro com vários momentos de sua carreira (metal, hard, pop, progressivo) e um que de óperas rock como Jesus Christ Superstar com algo de David Bowie e Elton John, que faz desse trabalho obrigatório para aqueles que gostam de música feita com alma.

Um exemplo fica por conta da viajante Lies Behind the Mask ou a macabra No One Gets Here Alive, assim como a mais intimista Changing Times.

Blind Superman e a faixa título são outros momentos digno de elogios, assim como o belo trabalho de produção (que timbre de guitarra é esse ?), feito pelo próprio Fabiano e seu eterno parceiro Ric Parma, assim como a chamativa capa, feita por Emerson Penerari, que sintetiza bem o momento decisivo para nossas escolhas.

É triste saber que The Fool's Path é a despedida do cantor, ao menos em trabalhos de estúdio, pois ao lado do álbum que gravou com o Dusty Old Fingers é o  ponto alto de sua carreira. Caso seja o fim, Fabiano pode se orgulhar de ter pendurado as chuteiras em grande estilo, e com a cabeça erguida.


1 de junho de 2020

EU AMO SER BICHO GRILO

Terceiro álbum de germânicos é um mix de nuances setentistas

Por João Messias Jr.

Lucifer III
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Assim como o The Night Flight Orchestra, que vive um excelente momento aqui no Brasil, o Lucifer é outra banda em alta em nosso país, E com isso, as expectativas em relação a um novo álbum de estúdio eram grandes. Que chegaram ao fim com o lançamento do terceiro trabalho de estúdio, simplesmente chamado de Lucifer III.

Posso afirmar que esse novo álbum do quinteto formado por  Johanna Platow Andersson (vocal), Linus Bjorklund e Martin Nordin (guitarras), Harald Gothblad (baixo) e Nicke Platow Andersson (bareria, The Hellacopters, ex-Entombed) é uma delícia de ouvir, pois quem vê as fotos do grupo, se trata de um grupo de Occult Rock, sendo que na verdade, os caras passeiam por várias vertentes do rock setentista, fazendo desse álbum, uma viagem obrigatória ao fã dessa vibe musical.

Ghosts abre o disco mostrando suas cartas: melodias marcantes e linha vocal grudenta. A seguinte, Midnight Phantom, dona de um vídeo muito legal, é macabra, mas com uma pegada mais hard rock, enquanto Leather Demon é mais lenta, embora igualmente grudenta.

Lucifer é mais acelerada e com uma levada que te faz dançar, já Pacific Blues tem um jeitão mais pop e Stay Astray tem tudo pra ser trilha sonora da vida de alguém.

Cemetery Eyes, que fecha o trabalho, é uma viagem musical, com um show de instrumental, guitarras pra lá de inspiradas e viradas de bateria cativantes, nos faz lembrar de como a música vive por gerações, que através dos anos sempre temos bandas boas e relevantes.

Junto ao protocolo cumprido de gravação de qualidade, capa espetacular, a versão nacional acompanha slipcase e um poster, o que a torna imperdível aos colecionadores. Na verdade, ao desdobrarmos o encarte, temos dois posteres, o que aumenta mais a vontade de aquisição do trabalho.

Ao término do disquinho, dá vontade de colocar aquela calça boca de sino e sair cantarolando as músicas do grupo em alto e bom tom! EU AMO SER BICHO GRILO!

28 de maio de 2020

ABSURDAMENTE PESADO

Gaúchos apostam no peso e melodias marcantes em primeiro full

Por João Messias Jr.

Human Decay
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Não é novidade pra ninguém que o sul do país é uma das referências quando se fala no death metal. Krisiun, Rebaellium, Nephast, Horror Chamber e tantas outras representam o estilo com maestria, e arrisco dizer que colocam muitos nomes gringos com maior fama no bolso.

E é justamente da terra dos Pampas que vem mais um nome que deve encabeçar a lista de quem curte metal extremo: Dismembration, que já havia chamado a atenção com o EP Tribute to the Dead, de 2018.

Marcos Palma (vocal), Bodão Arte Nula (guitarra), Diego Souza (baixo) e Lucas Furquim (bateria) fazem um death metal diferenciado, usando elementos do thrash, doom e groove, fazendo um som bem solto e cativante. Pois desde os riffs, as levadas de bateria e as linhas vocais grudam na cabeça de forma quase imediata e isso acaba conquistando o ouvinte, como foram em outros tempos, período em que as bandas se preocupavam em fazer boas canções, não em exibir técnica absurda.

Essa impressão vem logo no início do trampo com Dolls Maker, uma levada mais lenta e cadenciada com riffs hipnóticos e linha vocal marcante. O mesmo vai para a seguinte, The Beast Já The Messenger of Death é mais thrash metal.

Demonic Sadist é aquela que te chama pra briga, graças ao seu clima lento, pesado e desesperador, Kill Or Be Killed possui um groove e levadas industriais que só enriqueceram a canção. The Nightmare Repeats coroa esse belo álbum. Como disse linhas acima e repito:  esses caras tiveram a preocupação de que cada som GRUDASSE na cuca do ouvinte, o que nos faz imaginar como deve ser um show do quarteto.

O carinho com os detalhes foi até para o projeto gráfico, pois o tom vermelho da capa faz dela um diferencial para as suas irmãs de estilo. Além da qualidade da gravação, que é primorosa e nos faz ouvir todos os instrumentos de forma clara e concisa!

Detalhes que fazem de Human Decay  essencial na discografia de um deathbanger.

22 de maio de 2020

EQUILIBRANDO AGRESSIVIDADE E MELODIA

Novo trabalho buscou combinar elementos agressivos e melódicos

Por João Messias Jr.

Oblivion Shall Burn
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Depois da boa repercussão do debut, Towards Desolation (2017), a one man band capitaneada por Rhodz Costa (Heritage, Infected), aparece com o segundo álbum, Oblivion Shall Reign.  E ao colocarmos o disquinho pra rolar, notamos um salto evolutivo no trabalho. A proposta de unir death e thrash metal foi mantida, mas aqui o que era agressivo ganhou mais agressividade, só que combinado a bem vindas melodias, tornando o trabalho mais atraente musicalmente.

Contando com a participação do seu ex-companheiro de Heritage e Infected, Henrique Perestrelo nos solos, temos músicas bem feitas e bem sacadas como Grotesque Retribution e a sensacional O Violador de Sepulturas, que são um belo cartão de visitas do disquinho.

Mas não fica só nisso. Comedores de Carne Humana Podre é daquelas perfeitas para bater cabeça, enquanto My Morbid Thoughts com seu início melódico, que ganha um clima mais arrastado e assustador, coroa esse ótimo álbum

Outros aspectos positivos ficam para os vocais, que ganharam mais variedade em relação ao debut e mais uma vez a capa sensacional feita por Marcio Aranha, além do trabalho gráfico, que parece que foi feito para ser um vinil, desde as músicas separadas por lados na contra capa, de chamar a atenção.

Aí eu me pergunto: quando que a rapaziada vai sacar que são nas bandas underground que estão os verdadeiros tesouros da música pesada?

19 de maio de 2020

SEM ABRIR MÃO DA PEGADA

Trio do ABC paulista mantém sentimento old school em seu brutal death metal






Por João Messias Jr.


Inhumane Terror Cult
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É natural com o passar dos anos, os estilos musicais recebam toques de refinamento e técnica, algo que, bem dosado, faz com que trabalhos sejam reconhecidos pela galera que não é simpatizante de determinadas vertentes musicais. Veja por exemplo o death metal, a evolução que o estilo teve. Desde os primórdios com Possessed e Master, passando pelos tempos atuais com Krisiun, Obskura e Death, fazendo com que o estilo não seja chamado de barulho.

Até agora disse o lado bom da coisa, pois se por um lado as bandas fizeram trabalhos melhores, há o lance em que tudo ficou bonitinho demais, muito bem executado milimetricamente e isso acabou deixando a maldade do estilo de lado, com álbuns perfeitos, mas sem alma alguma.

Felizmente temos a galera do Chaoslace, que mostra como manter a essência do estilo sem ser tosco ou clichê. Leandro Nunes (vocal/guitarra), Giovanni Fregnani (baixo, substituido por Rafael Montana) e Diogo Rodrigues fazem um mix da escola antiga e mais atual do death metal, mas com pegada, atitude e paixão, elementos que valem mais do que técnicas conquistadas em conservatórios de música, fazendo música feita pra bangear.

Alguns exemplos ficam por conta de Elimination e Anti-Religious Victory, que sintetizam bem a mistura praticada pelo trio. Outro exemplo fica para a brutal e trabalhada Curses Behind the Diabolic Shadows, essa é das antigas, e agora ganhou uma nova roupagem sem perder a aura dos primeiros dias.

Assim como o Necromesis, o Chaoslace é uma das bandas que me fizeram voltar a ativa cobrindo shows e eventos voltados ao underground. Nesses tempos de pandemia, lembro quando via os caras nos rolês e dizia: "Olha os Chaoslace aí".
Inhumane Terror Cult

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...