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11 de junho de 2020

UM TAPA NA CARA DAS CARTILHAS METÁLICAS

Novo trabalho encabeçado por Rafael Augusto Lopes mantém a ousadia presente no debut Another Sleepless Night
Por João Messias Jr.
Sailing
Divulgação
Todas as vezes que ouço trabalhos de caráter  vanguardista, penso na seguinte frase que um professor disse na universidade, apontando o dedo na minha cara soltou a célebre frase: "mas o rock não é transgressor?". Confesso que fiquei um tempão sem entender a profecia. 
Só que hoje não apenas entendo o significado da frase, como "respiro" com intensidade seu significado. Pois o rock é um estilo musical muito rico, e prender-se em fórmulas seria se prender a algo, o que não combina em nada com a estética libertária do estilo.
Veja o Fanttasma, banda/projeto encabeçada por Rafael Augusto Lopes, guitarrista que tocou no Torture Squad, e em 2012 colocou o nome da banda no mapa do rock/metal com o álbum Another Sleepless Night, que embora tenha a base no gothic/doom metal, flertava com as mais variadas vertentes e com o inusitado. Afinal, quem não se lembra da Fernanda Lira (Crypta, ex-Nervosa) cantando no melhor estilo Janis Joplin em Life is War.
Pois bem, o tempo passou o nome Fanttasma volta ao jogo com um EP, chamado Sailing, que mais uma vez nos presenteia com a ousadia. Contando com vocalistas convidados. Ao mesmo tempo que abandona de vez a veia gothic/doom, mantém a conexão com o passado, graças aos climas, soando como trilha de filmes, o que aqui foi positivo.

A cereja do bolo foi que nas três músicas contamos com vocalistas convidados. Mars is Here, o primeiro single do trabalho, conta com May "Undead" Puertas (Torture Squad), num dos melhores registros da cantora, mostrando sua voz natural, evidenciando seu talento e o porque de ter tanto destaque na cena.

Major Overhaul conta com Victor Cutrale (Furia Inc.), que mostra uma composição que beira o pop, sem cair na pieguice, mais uma vez tendo a harmonia de voz/instrumental.

Sailing tem Daniel Wegan é a mais tétrica do disco, possivelmente aquele som que muitos conectarão com o debut, e ao mesmo tempo mantém a linearidade do EP, o que nos deixa querendo saber como será o segundo álbum dos caras.

Após a audição libertadora (sim, esses trabalhos vanguardistas proporcionam isso), me faz relembrar de que o rock é sim, transgressor e o Fanttasma é um belo exemplo de como se dá um tapa com luva de pelica nessas ditas cartilhas do metal, que convenhamos, é um troço chato pra caramba!
MARS IS HERE

4 de março de 2020

CELEBRAR, COMEMORAR, CONTINUAR

Audição de The Oracle, novo álbum da banda Brave foi marcada pelo clima de descontração e celebração

Por João Messias Jr.
Fotos: Leandro Almeida

Eliton  Tomasi e Brave
Leandro Almeida
Hoje em dia se tornou mais rápido, prático e barato o processo de um álbum. Com as ferramentas ideais, a banda pode se dar ao luxo de gravar em casa, dessa forma minimizando os custos e disponibilizá-lo em todas as plataformas de streaming que existem por aí, dessa forma, fazendo sua música chegar a pessoas e lugares que jamais se imaginou.

Sem dúvida a tecnologia facilitou a vida dos grupos musicais, em especiais os pertencentes a segmentos específicos, como o metal, mas pense comigo, apesar de você ter o "tudo", esse trabalho pode ser em vão, pois, sem a divulgação correta, esse trabalho pode cair como uma gota no oceano, ou seja, será pouco visto pelas pessoas.

Esse tipo de reflexão me faz lembrar como eram os anos 80. Período em que todos se reuniam nos bares ou lojas de disco para ver/ouvir o que de melhor estava rolando em termos de lançamentos, numa verdadeira celebração ao estilo, algo que deveria rolar com mais frequencia,

Justamente esse sentimento que foi transmitido no lançamento de The Oracle, novo álbum da veterana banda Brave, realizado na última quinta feira do mês de fevereiro, na Full House, no Anhangabaú (SP).

Jean Praelli e Eliton Tomasi
Leandro Almeida
Programada para às 19h, cheguei uma hora após o início e após receber o kit promocional, tive uma impressão positiva do local, que lembra muito o point de baladas góticas, por ser bem escuro, com poucas luzes e o mais legal, muita gente presente, com o som mecânico rolando, discotecado por Jéssica Mar (Headbangers News).

O mais legal de tudo era que não havia nada de malaiada mainstream, apenas fãs devotos de música pesada, que assim como eu, dispõe de uma parte do seu tempo pra divulgar a música que tanto ama. Portais e comunidades como Groundcast e Metal BR eram alguns presentes, assim como a Rock Brigade.

Pouco depois, às 20h40, o assessor do grupo, Eliton Tomasi, tomou as palavras e comentou sobre a importância de fazer um evento diferenciado, com as pessoas confraternizando, conversando e o mais importante: se divertindo fazendo aquilo, tendo prazer e não obrigação. Jean Praelli, da Anti Posers Records, citou a importância da continuidade no estilo, cada um fazendo sua parte, contribuindo para o crescimento e propagação do estilo

Brave e Imprensa
Leandro Almeida
Após esse breve momento explicativo, o álbum foi posto pra rolar e estamos diante do mais representativo álbum do grupo (resenha linhas abaixo) e nessa vibe de energia boa fiquei até às 22h30, com a sensação de  dever cumprido e feliz por ter feito parte de mais um capítulo da história do Brave.

Parabéns a todos os envolvidos, desde a organização, ao grupo e presentes, por proporcionarem mais uma vez um capítulo vitorioso na música pesada. Feita da forma mais importante: em comunhão, celebrando.

The Oracle: O álbum

A sabedoria possui como características o saber, o conhecer e o discernimento. Curiosamente todos os adjetivos cabem em The Oracle, terceiro álbum do Brave, que desde 1998, vem lutando em busca do reconhecimento, com seu metal tradicional bem dosado e repleto de personalidade.
The Oracle
Arquivo Pessoal

Sidney Milano (vocal), Carlos Bertolazi (guitarra), Ricardo Carbonero (baixo) e Carlos Alexgrave (bateria) são caras rodados e dessa forma fugiram das armadilhas que o estilo oferece, com uma grande sacada: os vocais.

Longe de usar timbres na estratofera e irritantes, Sidney embora explore alguns tons altos, foca na agressividade, o que foi um ganho na sonoridade do álbum, que soa como unidade, como podemos escutar em We Fight for Odin, que tem um refrão que deve ser pedido nos shows.

Wake the Fury,  com seus riffs irresistíveis, vozes mais ríspidas e pique NWOBHM, é outro belo exemplo de música bem feita. Outro som que deve ser citado é Fall of the Empire, conhecida por seu videoclipe lançado antes do álbum... que refrão meu amigo.

A autobiográfica We Burn the Heart encerra com chave de ouro o álbum, mostrando uma faceta épica/folk dos caras que combina em cheio com o som. Aliado ao som, vale citar que as etapas de produção e gráfica estão no patamar de qualidade que a banda merece.

Uma pequena ressalva vai para a ordem do tracklist do álbum, onde algumas faixas aparecem trocadas, mas que não comprometem a audição de The Oracle, que marca mais um capítulo vitorioso na carreira do quarteto, que com o passar dos anos, soube, com sabedoria fazer sua música soar oitentista sem o ranço saudosista!
https://www.youtube.com/watch?v=kRNUKhVH7QQ

2 de junho de 2018

PAIXÃO MOVIDA A DUETOS DE GUITARRA

Passados dezessete anos de seu lançamento, Defender of Metal conserva a mesma paixão dos dias de seu lançamento.

Por João Messias Jr.

Defender of Metal
Divulgação
Longe da época das descobertas da década de 1980 e distante da plasticidade das produções atuais, o quinteto paulista Hellish War soltava seu debut, Defender of Metal, em 2001.

O que solta aos ouvidos é saber que quase atingindo a maioridade, este disco mantém a garra, o vigor e o tesão em cada melodia executada, em cada coro e claro, em cada air guitar que emanamos ao escutar cada uma das faixas desse disquinho, que recentemente ganhou uma versão comemorativa no formato envelope, que com certeza será um item presente na discografia dos fãs de heavy/speed.

Por que digo isso? Não há como ficar indiferente sem ouvir as faixas aqui. Desde a convidativa Hellish War, as comoventes e empolgantes Defender of Metal e We Are Living for Metal, ambas com levadas maidenianas, seja nas passagens mais cadenciadas, ora nos vocais de Roger Hammer.

Não ficamos por aí, a levada instigante de Into the Valhalla merece menção, além de The Law of the Blade, que sintetiza o que foi a NWOBHM.

Desde então, o grupo já soltou dois álbuns de estúdio, um ao vivo, além de participações em tributos, além de shows no Brasil e Europa. E falando em apresentações, se for na apresentação do Armored Saint nesse domingo (3), em Sampa, terá uma bela oportunidade de ver o quinteto em ação.

Portanto, chegue cedo e confira o competente metal tradicional dos caras.
www.facebook.com/hellishwar

10 de janeiro de 2018

A RESISTÊNCIA

Trio potiguar mostra que a região nordeste vai muito além do forró

Por João Messias Jr.

Whocantbenamed
Divulgação
É verdade que já faz algum tempo que temos música boa rolando por todos os cantos do país. Porém, não é de total erro vir na cabeça as características musicais que cada região brasileira apresenta. Conhecida pelos grandes grupos de axé e forró, a região Nordeste bravamente marca a sua resistência nesse cenário com muita coisa voltada ao rock/metal. Os mais velhos lembrarão de grupos seminais como Nephastus, Shock, Insanity e Mystifier.

Trilhando o caminho deixado pelos grupos acima, temos formações que mostram sangue nos olhos e aquela vontade de vencer. Como a galera da Heavenless. Rapaziada do Rio Grande do Norte que estreou ano passado com o debut Whocantbenamed. Trampo embalado por uma capa interessante, que mostra a morte e o sertão nordestino mescladas de forma homogênea. Ponto para a banda e o criador Hugo Silva.

Musicalmente o som do trio formado por Kalyl Lamarck (voz e baixo), Vinicius Martins (guitarra) e Vicente Andrade (bateria) tem predominância pelo death e thrash metal. Porém, uma audição detalhada mostra um grupo antenado com seu tempo, soando contemporâneo, graças aos elementos que vão do hardcore ao metalcore, além de uma guitarra bem timbrada, que carrega de forma sutil referências de grupos como Nação Zumbi e Sepultura.

Outro elemento marcante na música dos caras fica por conta dos climas doom, que dão aquela sensação de "crime perfeito", mostrando que encontraram seu estilo logo no primeiro trabalho. O que nos permite se deliciar ao som de pedradas como a faixa de abertura Enter Hades (cheia de groove), Hopeless (que deve funcionar muito bem nos shows) e The Reclaim, esta conhecida dos fãs graças ao seu vídeo disponível no Youtube.

Uncorrupted também chama atenção pelo ritmo quebrado e predominantemente thrash e Point-Black encerra de forma homogênea o disco.

Whocantbenamed confirma a tradição nordestina de seguir com grupos de nível alto, além de manter a resistência numa região que predominam os ritmos regionais.

9 de dezembro de 2017

NA CONTRAMÃO

Grupo abraça de vez o rock alternativo em novo trabalho

Por João Messias Jr.

Keep on Naked
Divulgação
Keep On Naked, novo EP da banda Threesome faz uma espécie de viagem no tempo. Especificamente na década de 1990, período em que o fã de rock começava a se cansar das plumas e paetês vindas do hard rock e com isso, seguir algo mais despojado, simples e direto. Não era difícil ver fãs, antes com camisetas de formações como Guns and Roses e Bon Jovi, aderindo estampas do Nirvana e Sonic Youth.


O primeiro todos sabem, foi uma explosão mundo afora, com situações dignas de nota, contrastando com momentos constrangedores. Já o grupo liderado por Kim Gordon e Thurston Moore, embora tenha tido seus momentos nos holofotes, vai além, por não apenas englobar um estilo, mas uma estética que envolve o todo. Passando a resgatar a temática do "faça você mesmo", envolvendo as etapas de produção, gravação e conteúdo lírico, sem influências externas.

Vibração que encontramos no disquinho do quarteto hoje composto por Juh Leidl (vocal/guitarra), Fred Leidl (guitarra/piano/vocal), Bruno Manfrinato (guitarra), Bob Rocha (baixo) e Henrique Matos (bateria). O material possui duas regravações do CD de estréia, Every Woman, aqui chamada ERW, com aquela pegada despojada e que ao mesmo tempo bem chiclete, graças aos vocais bem encaixados de Juh.  Why So Angry, aqui batizada Sweet Anger vem um pouco mais pesada, mas com vozes que embora inusitadas, se encaixaram bem na canção, além de solos de tirar o fôlego.



A inédita My Eyes lembra um pouco o que a turma de Kurt Cobain fez no passado, apesar da voz de Fred Leidl fazer vir a memória Luiz Gustavo (ex-Pin Ups).

A inspiração noventista não ficou apenas no som. O trabalho foi concebido e produzido no próprio estúdio do quinteto, além do conteúdo lírico feito para provocar a reflexão no ouvinte, sem pregar e vender essa ou aquela temática.

Recado dado, agora é esperar a próxima investida da Threesome.

21 de agosto de 2017

ELEMENTO SURPRESA

Famoso algo a mais é característica marcante no álbum dos gaúchos

João Messias Jr.

A Glimpse of Illumination
Divulgação
Conhecidos por suas estadias em grupos como Distraught, Apocalypse e Vômitos e Náuseas, Márcio Machado (vocal), Marcos Machado (guitarra), Magoo Wise (baixo) e Cristiano Hulk (bateria) resolveram juntar forças e fundar um nova banda, batizada de Axes Connection.

União que logo soltou seu o álbum A Glimpse of Illumination. Contando com uma boa produção, orgânica e que chama a atenção por instrumentos e vozes estarem "na cara" do ouvinte. Aqui se mostrou ser uma boa escolha, principalmente por apostarem no bom e velho metal tradicional.

Porém, o atrativo fica pelo elemento "inesperado" dar o ar da graça por momentos aqui e acolá, gerando inquietude e surpresa. Junto ao clima setentista de The Meaning of Evil, temos vocalizações agudas e narrativas. Narrações que soam como um vinil numa rotação mais baixa.

Rearrange Yourself é mais arrasa-quarteirão e com uma atuação notável do baterista, que vai de Neil Peart (Rush) ao Thrash Metal, enquanto Wisdom Is the Key é maluca. Com vocais que se alternam entre discursados e agudos, além do baixo estalando a lá Steve Harris (Iron Maiden) e DD Verni (Overkill). Prepare Your Soul é o ápice do trabalho. Em flertes com o Hard Rock, temos uma canção feita para ser sucesso nos shows.

Pique que é mantido em The Gates, pelo conjunto ter trabalhado bem agressividade e melodia. Skyline é bem climática/progressiva e tem tudo para agradar aos fãs de Apocalypse.

Lembra que comentei do elemento inesperado? Ele volta com toda a força em The True Connection. Até o terceiro minuto, a canção é repleta de peso, depois ganha intensidade e um clima bem intimista que beira o virtuosismo.

Para aqueles que tem a versão em CD, após essa faixa temos uma versão escondida para She Sells Sanctuary (The Cult) que se mostrou ser uma boa escollha, fugindo do óbvio, que seria fazer Iron Maiden ou Judas Priest.

O que pode dividir opiniões fica pelo timbre agudo e ardido do cantor, mas isso é algo que os fãs deverão decidir. Vamos ver o que o futuro reserva aos veteranos.

26 de setembro de 2016

LONGE DAS ARMADILHAS DO ESTILO

Novo trabalho dos mineiros tem como base o clima setentista temperado por muita melancolia

Por João Messias Jr.

Gas Station
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"O stoner foi a faisca que criou a banda, mas nunca nos limitamos a nenhum estilo...". Esta frase, dita pelo pessoal da banda Broken Jazz Society seria suficiente para definir a música dos caras. Pois embora estilo seja a base da música do trio, há muitas coisas acontecendo durante a audição do EP "Gas Station".

Neste caso, é positivo, pois sempre que um estilo fica em alta, o que mais ocorre é a aparição de grupos repetitivos, dando ao crítico e ao ouvinte a sensação de estar tomando aquele café requentado de lanchonete e que nem sempre desce gostoso na boca.

O interessante é que assim como nos 60/70, cujo cuidado era a preocupação era com o conjunto da obra, o trio seguiu o mesmo pelo processo. A capa chamativa nos estimula para escutarmos o que vem pela frente. 

Também agrada aos ouvidos a qualidade da produção (cujas etapas foram feitas por Ricardo Barbosa e Gustavo Vasquez),  que é crua, pesada e nítida, o que favorece o a linha musical praticada pela banda.  Sonoramente, sentimos referências de estilos como o Jazz, o Classic Rock e até o Grunge, graças a melancolia que permeia por todas as faixas.

Embora atendam pelo critério uniformidade, as músicas possuem vibrações distintas. Gas Station que abre o disquinho, tem uma linha de baixo e bateria que lembra Rage Agaisnt the Machine e depois cai num pique mais vibrante, daquela feita para os shows. A seguinte, Riot Spring, tem uma levada mais funkeada, porém é conduzida pela melancolia e ganha força no refrão, que gruda na mente. Mean Machine, que encerra o EP, começa introspectiva e vai crescendo durante a execução, encerrando positivamente este novo trabalho dos caras, que tem tudo para colher frutos perante os fãs (e não fãs) deste nicho musical.

Só resta dizer aos envolvidos Mateus Graffunder (guitarra e voz), João Fernandes (baixo) e Felipe Araujo que continuem fugindo do lugar comum e nos apresentando uma música que embora reverencie o passado, soa como aquele cafezinho feito na hora, gostoso, marcante cujo sabor fica preso em nossa memória.

22 de junho de 2016

MAESTRICK: "QUEM GOSTA DE ARTE, BUSCA A ARTE E ENCONTRA A ARTE"

Verdade que a luta de uma banda autoral para conquistar um lugar na cena underground por muitas vezes é difícil e até injusta. Apesar de não existir uma fórmula ou regra para se dar bem, um caminho pode ser a busca pelo valor artístico ao invés do entretenimento, solução buscada pelo MaestricK. Com doze anos de estrada e atualmente formado por Fabio Caldeira (vocal e piano), Renato Montanha (baixo e vocal) e Heitor Matos (bateria e percussão) vem fazendo sua parte com sua música, que apesar do alto nível de elaboração, chega simples aos nossos ouvidos, tamanha a capacidade de cativar o fã de boa música.

Com um álbum na bagagem, Unpuzzle e o recém lançado EP The Trick Side of Some Songs, que contém versões para clássicos de grupos como Jethro Tull, Yes, Beatles, entre outros.

Nessa entrevista com o grupo, o trio comentou sobre o primeiro álbum, o recente lançamento, além dos preparativos para o segundo álbum de inéditas!

Por João Messias Jr.


Unpuzzle!
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Como é a primeira entrevista que faço com vocês, vou começar perguntando coisas do passado até chegar no estágio atual do grupo. O primeiro álbum de vocês, "Unpuzzle!", lançado em 2011 foi muito bem comentado em diversos portais e revistas especializadas do Brasil e exterior. Após cinco anos de seu lançamento, o que pensam deste trabalho?
Fabio Caldeira: Tenho muita gratidão por tudo o que o “Unpuzzle!” representou e representa para nós. Foi nossa “prova de fogo”, e tudo ocorreu da melhor forma possível. O termo “álbum” não é usado por acaso. As músicas que estão ali, são como fotos, representam todo um contexto do momento que vivíamos. Não só a banda, mas de todos os envolvidos.
Heitor Matos: Eu sempre me refiro as músicas que a gente faz como se fossem nossos filhos. E assim, como um filho, o disco hoje cresceu e me dá muito orgulho de ter participado dessa criação com meus irmãos (Fabio e Montanha). Adoro o resultado do disco, foi totalmente honesto, do começo ao fim. 
Renato Montanha: Eu tenho muito orgulho deste álbum, pois foi meu primeiro trabalho de gravação de um disco completo. Já tinha gravado "eps" e cds demos, mas não um álbum completo, e pude começar o aprendizado de como gravar e dar vida a um álbum. Outro ponto da importância do “Unpuzzle!” foi o fato de poder mostrar da forma como queríamos a nossa linguagem musical e conceitual do Maestrick para uma gama maior de pessoas.

NHZ: Além das músicas, o conceito em torno do CD é um pouco diferente do que era explorado por aqui. Vocês usaram como tema uma exposição de artes em um museu. Queria que contassem o porquê de usarem esse tema.
Fabio: Nós acreditamos que cada pessoa é um universo distinto, então partindo daí, se respeitar o que é natural e espontâneo pra você, com certeza terá algo diferente a dizer. O conceito do disco foi uma consequencia então, tanto do que tínhamos a dizer, quanto da forma como queríamos dizer.
Heitor: Esse tema foi surgindo... Antes tínhamos a ideia de fazer o disco baseado num personagem que fazia um tratamento de choque, mas aí foi rolando e o Fábio na época veio com umas ideias "loucas" (no melhor sentido). A gente foi deixando ele viajar sobre a história, sempre ouvindo e ajudando, como sempre fizemos e sempre faremos.
Montanha: Nós sempre gostamos de trabalhar com uma temática e quando o Fabio nos mostrou a ideia de um mundo fantasioso com personagens de tinta que ganhavam vida dentre outras coisas, percebemos que poderíamos ter uma liberdade criativa maior pra pensar fora do comum e tentar misturar estilos, cores e texturas nas composições.

NHZ: Achei muito interessante a forma como definem sua música: Aquarela Sonora. Ouvindo Unpuzzle, é possível “enxergar” muitas cores, texturas e variações por todas as canções do trabalho. Exemplos ficam por conta de Aquarela e dos 21 minutos de Lake of Emotions. Como juntar momentos calmos, intensos e instigantes numa única canção e ainda dar liga a todos esses momentos?
Heitor: Acho que esse lance de como juntar os momentos é algo pra se pensar como se fosse a nossa vida.  Quando você está confortável com aquilo que está fazendo, as coisas fluem como se fossem os sentimentos que passam por nossas mentes na vida real. É claro que, quando temos um norte pra seguir, fica muito mais fácil. Acho que as energias fluem naturalmente pra que as sensações que estamos sentindo transpareçam na musicalidade da banda.
 Montanha: Quando se trabalha fora do padrão no qual a musica não precisa seguir uma fórmula pré-definida, ganha-se a possibilidade de se inspirar com a temática  possibilitando visualizar cores, sentimentos e texturas. A partir deste ponto, podemos construir uma historia contada pelas letras, melodias e nuances da música como se, por exemplo, estivéssemos contando um acontecimento feliz para alguém e esse ouvinte pudesse fechar os olhos e ter a imagem do locutor com um sorriso no rosto, mostrando a alegria e agitação na sua fala.

NHZ: Isso acaba linkando com uma questão interessante. Muitas pessoas não atualizam seus conhecimentos pela TV ou internet. Mas sim buscando referências ao passado por meio de trabalhos conceituais.
Fabio: Essa é a prova de que as melhores obras são atemporais. Se você ler, por exemplo, A Divina Comédia de Dante Alighieri, que é uma obra do século XIV, vai ver que ainda é atual. Traga isso para a música, pra nossa época e vai ver que muita coisa feita hoje é descartável, superficial. Não é uma crítica, mas um fato. Vivemos na era da “superinformação”, temos muitas notícias, acesso fácil a qualquer assunto, mas ao mesmo tempo pouco aprendizado, poucas lições e alienação generalizada.
Montanha: Isso acontece mesmo, ouvindo bandas mais atuais podemos ver as grandes influências de grupos do passado e só mostra o quanto precisamos conhecer o passado musical das bandas que ouvimos e estudar o que as bandas novas acrescentaram nas suas composições.

The Trick Side of Some Songs
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NHZ: Um hiato de cinco anos ficou entre o debut e o mais recente trabalho, o EP de covers chamado The Trick Side of Some Songs. Porque tanto tempo sem lançarem material?
Fabio: O Maestrick sempre busca unir mais de um universo artístico em seus projetos, então é natural que isso acabe levando mais tempo.
Heitor: Eu considero o Maestrick como uma criança ainda, estamos conhecendo o mundo e entendendo do que somos capazes. O hiato foi uma coisa natural, mostramos pro mundo nosso primeiro trabalho e acabaram acontecendo turbulências como todo começo, pensamentos diferentes... É como um relacionamento com cinco pessoas, tem seus conflitos de ideias, objetivos diferentes, etc. Além disso, acho que posso falar pelos caras também: Não acho que as bandas tenham que lançar disco a cada dois anos, nós achamos que tem que vir de dentro, o Maestrick nasceu assim e pretendemos mantê-lo assim. E por outro lado, temos dois discos praticamente feitos de uma só vez!
Montanha: Nós lançamos um material que demandava um tempo maior para mostrar os nossos conceitos musicais e ocasionou de usarmos mais de um ano para fazer as pré-produções do segundo disco. O EP foi um gesto para mostrar a quem nos acompanha que não estávamos parados.

NHZ: De onde surgiu a ideia de lançarem um EP de covers?
Fabio: Nós precisávamos de uma linha divisória entre o projeto do “Unpuzzle!” e do próximo disco, “Espresso Della Vita”, que será lançado ainda esse ano. Aí a ideia de gravar esses covers e fazer essa homenagem. O Maestrick sempre preza por músicas autorais, mas era o momento de “relaxarmos” um pouco pra começar algo novo. Além de poder trazer os fãs dessas bandas, como nós, ao universo do Maestrick.
Heitor: É também uma homenagem aos vovôs do Rock e Prog que tivemos influência direta e indireta, então pensamos, porque não fazer?
Montanha: Surgiu ainda da ideia de podermos mostrar algumas influências da banda e mostrar a nossa interpretação de alguns artistas que nos influenciaram.

NHZ: Esse trabalho conta com versões de ícones do Classic Rock como Beatles, Yes, Pink Floyd, Queen, Rainbow e Jethro Tull. Como foi chegar nesse repertório e se houve alguma coisa que ficou de fora e pretendem lançar no futuro?
Fabio: Certamente nós vamos fazer outros EPs como esse, só não sabemos quando, porque o foco agora é totalmente no disco novo.
Heitor: São bandas que realmente escutamos. É até difícil escolher as músicas, mas tem muitas influências que podem aparecer com o Maestrick mais pra frente!
Montanha: Nós chegamos ao repertório escolhendo algumas músicas que já tocávamos nos shows e algumas que gostávamos de ouvir e queríamos colocar a nossa forma de tocar. Até poderíamos colocar mais músicas, mas para um EP seria um pouco exagerado. No futuro podemos gravar outras músicas.

NHZ: Ouvindo o trabalho, percebe-se a fidelidade com os temas originais, soando como uma espécie de tributo a esses ícones do rock mundial. Por que esse tipo de abordagem e qual o feedback recebido do trabalho?
Heitor: Particularmente acho que as músicas originais são como algo sagrado, então penso que fica legal fazer uma homenagem às bandas que gostamos com a nossa linguagem, mesmo porque a original já soa como deve soar, é um desafio bem legal e ao mesmo tempo apavorante.
Montanha: Nós mantivemos a essência das músicas para que todos conseguissem reconhecê-las, mas ao mesmo tempo inserimos o modo Maestrick de tocar para que sentissem algo diferente sem uma grande estranheza. Nós recebemos muitos feedbacks positivos e ficamos muito felizes com esta repercussão.

NHZ: Vocês chegaram a enviar para algumas das bandas/artistas as canções que gravaram?
Montanha: Ainda não.
Fabio: É um objetivo!
Heitor: Faremos, com certeza! 

MaestricK
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NHZ: Belos momentos ficam por conta de Yes! It’s a Medley (Yes) e Aqualung (Jethro Tull). A primeira por mostrar toda a variedade, beleza e ousadia do quinteto britânico e a segunda pelo contraste de situações inusitadas na canção. Conte-nos como foi interpretar esses temas.
Fabio: A escolha das músicas para o medley do Yes foi resultado de uma pesquisa grande. Queríamos algo que soasse natural, como uma música só e seus movimentos diferentes e não como uma colcha de retalhos com conexões forçadas. Por isso começamos com a Soon, que é mais tranquila e finalizamos com a Give Love Each Day com sua atmosfera apoteótica.
Heitor: Foi difícil escolher as músicas pro medley do Yes, são músicas bem legais e bem diferentes umas das outras. A Aqualung nós já tocamos algumas vezes ao vivo, mas só fomos ter noção de como ficou legal e diferente depois de terminada.
Montanha: Foi uma experiência incrível. Para poder gravar tivemos que estudar muito para seguir as linhas das músicas originais, foi uma aula gigantesca e um trabalho com muita dedicação e respeito.

NHZ: O ponto alto fica por conta de While My Guitar Gently Weeps (Beatles). Além da bela interpretação vocal, vocês inseriram no fim da canção o trecho inicial de Still Loving You (Scorpions). Como surgiu a ideia de inserir essa passagem na música?
Fabio: Muito obrigado pelo elogio. Essa música foi uma escolha óbvia como a Aqualung, porque já a tocávamos nos shows. Como ela encerraria o EP antes da reprise da música Near-Brain Damage, pensamos em levá-la pra uma espécie de gran finale. Sobre o final com a guitarra dedilhada, foi uma mera coincidência, mas achei legal você ter interpretado dessa forma. 
 Heitor: O legal disso tudo, de fazer interpretações das bandas, é isso. Não tínhamos ideia dessa passagem do Scorpions, não tínhamos achado essa influência escondida ainda, é uma banda que eu particularmente gosto muito, mas não foi intencional, com certeza não! (risos)

NHZ: Estão preparando um novo trabalho, Espresso Della Vitta Solare, um álbum duplo, que será divido em duas partes e que terá na produção Adair Daufembach (Project 46, Trayce). O que podem nos adiantar desse vindouro trabalho e o porquê da escolha de Adair no comando dos botões?
Fabio: O disco será uma viagem de trem de um dia, onde o primeiro disco, o Solare, terá doze músicas relativas as doze horas do dia. Teremos muitas referências artísticas, experiências musicais, participações especiais e muita, muita pesquisa. Desde os significados das horas até os instrumentos que usaríamos em cada música. O Adair é uma pessoa iluminada, tem um coração do tamanho do talento dele e o conhecemos através do Gustavo Carmo, produtor do “Unpuzzle!”.
Heitor: O que eu acho que seria legal adiantar é que com certeza estamos mais ansiosos do que a galera que está esperando o disco, vai ser diferente do Unpuzzle, com certeza!
Montanha: Posso adiantar que estamos muito felizes com o novo trabalho e que aumentamos a gama de novidades melódicas e instrumentais neste disco. Sobre o Adair, ele é um produtor com um excelente gosto musical e ouvidos para timbres, tem mostrado a cada dia uma qualidade ímpar para produzir, além de já ser um amigo para nós.

NHZ: Hoje a banda é um trio. Isso afetará alguma coisa na dinâmica e execução das canções? Faz parte dos planos do grupo inserir mais algum músico?
Fabio: Não afetará em absolutamente nada. Para o disco, pela sinergia que rolou com o Adair, ele mesmo gravará as guitarras.
Heitor: Mas faz parte sim da ideia, gostamos de compor no coletivo, é sempre legal ter identidade diferente.
Montanha: Mas o fato de ser trio não esta afetando em nada no nosso trabalho. Nós só vamos analisar o assunto de inserir alguém mais para frente, pois estamos focados na gravação agora.

NHZ: Nessa parte da entrevista vou citar algumas situações que as bandas independentes vivem hoje e queria a opinião de vocês à elas:

- Crowdfunding
Fabio: Feito com bom senso é uma alternativa justa, pois beneficia todas as partes envolvidas.
Heitor: É uma saída muito legal para bandas mais undergrounds. 
Montanha: Eu acho um mecanismo válido de pagar a produção de um disco pois a falta de incentivo é grande.

- Shows autorais vazios

Fabio: É uma via de mão dupla essa questão. É triste que um show não tenha público suficiente, mas é essencial se perguntar o motivo do desinteresse do público.
Heitor: Acho que não é culpa só dos fãs, as bandas, principalmente brasileiras, têm que inovar. 
Montanha: Isso reflete a desvalorização do que é do Brasil, aqui existem bandas semelhantes ou até melhores que as bandas do exterior.

- A arte (cada vez mais) tendo seu espaço tomado pelo entretenimento

Fabio: Eu vejo essa questão de uma forma simples. Quem gosta de arte busca a arte e encontra a arte. Ela sempre vai existir, seja em um grafite com uma frase de protesto, seja em um quadro na sala de uma casa, seja em uma música. O que não pode deixar de existir é o interesse. As coisas são cíclicas e é normal que modas venham e vão, mas o que é essencial, espontâneo e feito com amor sempre fica, e aí passa no teste do tempo e se torna atemporal como falamos anteriormente.
Heitor: Isso me preocupa bastante!

NHZ: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem aos leitores do New Horizons Zine!
Fabio: Agradeço demais pelo espaço e pela atenção! Desejo o melhor para todos! O “Espresso Della Vita: Solare” vem aí e espero que todos se identifiquem com as histórias que serão contadas! Luz, Paz e Arte, amigos!
Heitor: Valeu galera do New Horizons, espero que gostem dos próximos passos do Maestrick!
Montanha: Um grande abraço e muita música
www.maestrick.com.br

2 de março de 2016

"NÃO EXISTE NADA MAIS IMPACTANTE AO PÚBLICO DE UM ARTISTA DO QUE ASSISTIR UM SHOW AO VIVO"

A frase escolhida acima é trecho da entrevista com o guitarrista da banda Primator, Márcio Dassié, que descreve com exatidão o que é ser um headbanger de verdade, aquele que vai a shows e prestigia suas bandas favoritas ao vivo. Algo que se torna cada vez mais raro graças aos 'web bangers', que se contentam em baixar álbuns e ver shows no Youtube.

Pode parecer inofensivo, mas é algo que vai matando aos poucos uma cena que vai se combalindo cada vez mais com o tempo. Porém, ainda existem bandas que vão na contramão e continuam a trilhar o caminho que deve ser trilhado.

Além da cena, o músico comenta sobre a repercussão do álbum Involution, dono de uma belíssima capa, além dos novos tipos de iniciativas para que as bandas continuem por aí!

Por João Messias Jr.

Involution
Divulgação
NEW HORIZONS ZINE: Em 2015 a banda lançou seu primeiro trabalho, chamado Involution. O que estão achando da repercussão do mesmo?
Márcio Dassié: Nosso debut tem sido muito bem recebido pelos fãs de heavy metal e pela mídia especializada. É recompensador receber elogios e descobrir as impressões do ouvinte sobre as músicas. Por ser um primeiro álbum, a repercussão tem sido fantástica.

NHZ: O álbum chama a atenção logo de cara pela belíssima capa, desenvolvida pelo vocalista Rodrigo Sinopoli. Conte-nos como foi o processo de criação da mesma.
Márcio: O Rodrigo é um excelente artista! No processo de criação ele se inspirou na clássica representação horizontal da escala evolutiva do macaco se transformando no homem moderno. Mas ele “verticalizou” e deturpou a ideia de que o ser humano é o produto final, o topo da escala evolutiva, colocando quem observa como se estivesse dentro desta escala, vendo que nossa espécie talvez não tenha evoluído. Por exemplo, atualmente boa parte das interações humanas físicas são substituídas por “virtuais” pelas últimas gerações criadas sob a égide da tecnologia. Sinceramente não sei até onde isso é benéfico e se representa uma evolução ou involução de nossa espécie.

NHZ: Ainda falando da arte, ela ficaria muito bonita no formato de vinil. Está nos planos da banda lançar Involution no formato de LP?
Márcio: Infelizmente neste momento não existe nenhum plano de lançamento do Involution em vinil, pois a banda ainda é independente e teria de arcar com os custos, mas realmente a arte ficaria belíssima no vinil.

NHZ: Pouco tempo após o lançamento do CD, a banda sofreu uma mudança no posto de baterista. Hoje a banda tem como dono das baquetas Lucas Assunção. Como chegaram ao músico e como foi sua adaptação ao som do Primator?
Márcio: Conhecemos o Lucas em uma oportunidade que tocamos ainda com o antigo baterista. Após sua saída, um amigo em comum, o Felipe, disse a ele que estávamos procurando baterista e após o teste ele entrou na banda. A adaptação ao som da banda foi relativamente fácil, visto que o Lucas é um exímio baterista, mas tivemos semanas de aperfeiçoamento e dilapidação até o primeiro show, onde lançamos o álbum e dividimos palco com o grande Dark Avenger de Brasília.

NHZ: As perguntas a seguir têm como tema o estilo adotado pelo grupo e as canções do trabalho. A banda aposta num metal tradicional a lá Maiden/Priest, com algumas inserções ao thrash da BayArea e vocais agudos. Como foi desenvolver essa alquimia musical de forma homogênea?
Márcio: Na verdade o Primator é a soma das diferentes influências dos seus integrantes com ampla liberdade de composição, ou seja, não somos presos a estilos e rótulos. Essas características que você citou, heavy metal tradicional com pitadas de thrash metal, realmente são marca registrada da banda e quem ouve sabe que está ouvindo Primator. A homogeneidade da mistura musical foi desenvolvida ao longo do tempo da banda, os anos de estudo, ensaios, jams e competência dos músicos.

Primator
Divulgação
NHZ: Essa mistura gerou faixas que transitam entre momentos trabalhados e agressivos. Alguns exemplos ficam por conta de Black Tormentor e Face of Death, Deadland e Flames of Hades. Queria que contassem sobre o processo de criação dessas canções.
Márcio: A composição geralmente parte de uma melodia vocal e/ou letra do Rodrigo Sinopoli, eu crio os riffs e bases e dilapidamos a música com a banda toda até o arranjo final. Falando de cada música citada, a composição da “Black Tormentor” foi um tormento (risos)! Creio que compus três músicas totalmente diferentes até compor a quarta versão final que foi para o álbum com belas dobras de guitarra. “Face The Death” foi composta até com certa facilidade e ficou pronta de forma rápida. O riff principal é uma mescla de um riff que eu havia criado com outro criado pelo parceiro de banda, o guitarrista Diego Lima. “Deadland” foi umas das primeiras músicas compostas. Utilizei uma escala árabe para criar o riff principal, não tão usual no metal e rock em geral. Por fim, “Flames of Hades” também teve outras versões antes da definitiva gravada no Involution. Aqui cabe ressaltar as passagens e harmonizações feitas no pré-refrão que eu particularmente gosto bastante.

NHZ: A banda criou no álbum um balanço interessante com as baladas “Caroline” e “Let Me Live Again”. Qual a importância de ter músicas mais lentas no repertório?
Márcio: Na realidade, penso sempre na importância de compor músicas que digam e representem algo para quem as escuta. Neste sentido, a variação de músicas lentas ou mais rápidas ilustram ideias e sensações diferentes aos ouvintes, o que creio ser bastante interessante.

NHZ: Recentemente se apresentaram ao lado do Fates Prophecy na capital paulista. Num cenário combalido por causa do baixo público em concertos voltados a música autoral, qual a importância do show como promoção do trabalho?
Márcio: Uma excelente pergunta. Até pode-se pensar que compensa mais uma banda investir em promoção digital do que tocar para um público de menos de 100 pessoas, que a promoção digital alcança milhares de pessoas, etc... De verdade, penso que não existe nada mais impactante ao público de um artista do que assistir um show ao vivo. Nenhum vídeo, resenha ou fotografia, por mais precisa que seja, conseguiria estampar com tamanha perfeição as sensações que somente a presença in loco no show pode proporcionar. Além disso, grandes bandas devem tocar ao vivo e mostrar ao que vieram, pois isso fideliza o fã. Ainda que poucos fãs sejam fidelizados, eles serão fãs verdadeiros e não somente aqueles “de facebook”.

NHZ: Mudando um pouco de assunto, hoje estamos vivendo uma espécie de contracultura na música mais underground. Com as verbas dos editais de cultura destinados a artistas consagrados e grupos cover, o crowdfunding vem sendo uma ferramenta cada vez mais utilizada pelos grupos para lançarem seus álbuns. Exemplos mais recentes ficam por conta do Bruno Sutter, Ponto Nulo No Céu e até bandas como Obituary e Raven. Podemos dizer que a música está voltando para as pessoas que realmente apoiam o movimento?
Márcio: Estes tipos de iniciativa tal qual crownfunding mostram realmente que é o fã que comparece nos shows de metal e apoia a cena e realmente ajudam bastante. Entretanto, infelizmente em que pese a música “volte” a quem realmente apoia o movimento, creio que ela também se circunscreve a somente a estes indivíduos, o que é lastimável, tendo em vista os inúmeros headbangers que comparecem aos shows internacionais realizados aqui no Brasil.

NHZ: Como estamos iniciando um novo ano, conte-nos os planos da banda para 2016 e o que podemos esperar de vocês a curto e médio prazo.
Márcio - A curto prazo 2016 é o ano de composição do segundo álbum, com gravação de videoclipe do primeiro single, To Mars, música composta por Mário Linhares, vocalista do Dark Avenger que também produzirá o álbum. A médio prazo faremos uma provável tour pela Europa ou Estados Unidos para divulgação do segundo álbum.  

NHZ: Obrigado pela entrevista. O espaço é de vocês!
Márcio: Agradeço pela entrevista e parabéns pelo teor e conteúdo das perguntas. Espero que todos recebam do “Involution” a mensagem que pretendemos passar e busquem por coisas novas, apoiem a cena local e nacional e compareçam aos shows, pois só assim conseguiremos garantir o futuro do heavy metal no Brasil. Mais uma vez, agradeço a todos os que nos incentivam e nos querem bem. Tenham a certeza de que ainda ouvirão falar muito do Primator! Grande abraço à todos.

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