18 de setembro de 2015

PANZER: UM SHOW COMO ELE DEVE SER

Fidelidade é a característica marcante do primeiro DVD do grupo, "Louder Day After Day - Live Panzer Experience"

Por João Messias Jr.

Para muitos "véios" como este que escreve essas linhas, os verdadeiros discos ao vivo são aqueles que transmitem de fato o que aconteceu na gravação para o material. Como, Louder Day After Day - Live Panzer Experience, primeiro DVD dos thrashers do Panzer, lançado em 2015.

Fugindo do esquemão das superproduções límpísimas de hoje, Rafinha Moreira (voz), André Pars (guitarra), Rafael DM (baixo) e Edson Grasefi (bateria), apresentam de forma fiel o que rolou na apresentação realizada no dia 26 de abril de 2014, no tradicional Espaço Som.

Nada de músicos estáticos e cometários polidos, mas sim uma apresentação marcada pela descontração e muita música pesada em alto volume, num repertório marcante que, sem desmerecer a fase mais antiga, os destaques vão para os sons mais novos, como os já clássicos The Last Man on Earth, Rising e Burden of Proof.

Savior, que assim como no álbum Honor, contou com a participação de Silvano Aguilera (Woslom) é outro ponto alto do disquinho, além da execução das guitarras e bateras, principalmente a condução deste último, que foge dos triggers e nos remete aos saudosos malucos Cozy Powell  e Keith Moon.

Junto com a apresentação, o DVD, dono de um bom acabamento gráfico, tem como extras os vídeos da atual fase do grupo, além de um CD com o áudio do show, também recheado de bonus.

Agora vamos esperar pelos novos materiais do grupo, que três anos após seu retorno, vem brindando os fãs de música pesada com materiais no melhor do thrash/stoner.

9 de setembro de 2015

WARSHIPPER: ÉPICO, PESADO E BRUTAL

Formado por veteranos da cena underground nacional, o hoje quinteto paulista mostra maturidade em seu primeiro trabalho, o EP Worshippers of Doom

Por João Messias Jr.

Warshipper
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Bywar, Zoltar e Eternal Malediction. Bandas que entre erros e acertos, cravaram sua marca na história do metal nacional. Assim como todo grupo que atinge esse status deixa saudades, foi muito bem vinda a notícia que alguns integrantes das citadas formações uniram forças para um novo projeto.

Batizado de Warshipper, a banda formada na época por Renan Roveran (guitarra/voz), Rodolfo Nekathor (baixo/voz), Rafael Oliveira (guitarra) e Roger Costa faz bonito em Worshipper of Doom, primeiro registro do grupo. Unindo a variedade do death metal europeu, com toques de thrash e um bem vindo tempero épico, o trabalho conquista o ouvinte de imediato, mesclando aquela vontade de bater cabeça e ao mesmo tempo "entender" o conceito musical.

Into the Dystopia é uma intro que abre caminho para a faixa que nomeia a banda, que possui aquele lance de palco, perfeita para iniciar as apresentações. A seguinte, ... And the Darkness Calls possui guitarras inspiradas no metal tradicional, enquanto Theatrical Dissection possui riffs e levadas de baixo "sujonas", assim como vocais mais agressivos e um andamento mais thrash.

Autumn Mist é uma espécie de interlúdio macabro que dá o clima para Paranormal Connection, que chama a atenção pelos jogo de vocais e o clima épico. 

A reta final do disquinho vem com as duas versões para Absence of Colors. A primeira, The Obsolete que é mais direta, enquanto a "blackened version" é mais climática e voltada ao thrash, além de contar com os vocais de André Evaristo (Torture Squad).

Aliada a parte sonora, temos um bom acabamento gráfico, com cores definidas, todas as informações sobre o grupo, que recrutou  o vocalista Heverton Souza (Imperium Infernale, ex-Eternal Malediction), o que nos deixa ansiosos para novos trabalhos do hoje quinteto.

8 de setembro de 2015

HIGHER: "QUANDO O METAL ESTÁ EM NOSSAS VEIAS, FICA TUDO MUITO MAIS PRAZEROSO"

A frase acima, dita pelo vocalista Cezar Girardi, da banda Higher sintetiza bem o sentimento de um verdadeiro fã de heavy metal. Pois por mais que estejamos inseridos em outras áreas, a paixão pelo estilo sempre fala mais alto. A banda é fundada por Cesar e o guitarrista Gustavo Scaranelo (completam o grupo o guitarrista Felipe Martins, o baixista Will Costa e o baterista Pedro Rezende), músicos com uma carreira de respeito no jazz e música instrumental, que entre uma pausa aqui e ali, resolveram botar a paixão pra fora. Dessa paixão foi concebida um disco que leva o nome do grupo, que agradará todos os fãs do estilo.

Em entrevista, o vocalista nos fala um pouco do trabalho, mudanças de formação e o fim das atividades de um conhecido grupo nacional.

Por João Messias Jr.

Higher
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A criação do grupo possui uma história interessante, pois alguns dos músicos possuem uma carreira na música instrumental e brasileira, mas resolveram juntar força para realizarem uma motivação dos tempos de adolescentes – uma banda de heavy metal. Como foram as etapas deste processo?
Cezar Girardi: Foi muito tranqüilo na verdade, pois nenhum dos integrantes havia parado de ouvir Heavy Metal. Claro que tivemos que mudar a forma de estudar nossos instrumentos, mas quando o metal está em nossas veias fica tudo muito mais prazeroso.


Quais as diferenças mais marcantes das cenas da música instrumental/brasileira em relação a do metal?
Cezar - Sofremos hoje no país um preconceito musical muito grande, então se você não for do estilo que vende muito, você esta fora de moda. Por isso estes dois estilos têm a mesma dificuldade.

A banda lançou em 2014 o primeiro álbum autointitulado. O que estão achando da repercussão do trabalho?
Cezar - Estamos muito satisfeitos com a repercussão! Foi um grande orgulho os veículos especializados gostarem do nosso debut. Recebemos muitos elogios, e também junto com os elogios muitas críticas extremamente construtivas, que com certeza usaremos para o nosso segundo álbum que já esta em processo de gravação/composição.

Higher (Gustavo e Cesar)
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Lie, uma das faixas de divulgação se destaca por não ser daquelas faixas aceleradas, mas concentrada no peso e cadência, além de um leve clima épico, que também sintetiza o ouvinte o que ele escutará durante o trabalho. A intenção de fazer um vídeo para esta canção foi justamente essa?
Cezar - Sim, apesar de que o restante do álbum ainda guarda muitas surpresas!
Mas é um som que serve muito bem de cartão de visitas!

Apesar de ser um álbum voltado ao metal, é possível durante sua audição ouvir flertes com outros estilos, como os arranjos barrocos de Climb the Hill. Queria que nos contasse sobre a inserção desses elementos e o que os mesmos agregam nas canções do grupo.
Cezar - É notório que somos extremamente influenciados por vários estilos de música, e aproveitamos isso para usar o que mais se adapta ao nosso trabalho, dentro da paixão maior que é, e sempre será o METAL.

O lançamento do grupo foi realizando no Isis Bar, na capital paulista, numa noite para imprensa e convidados, que contou com a presença da banda e a audição do trabalho. Para vocês, qual a importância destes eventos para uma banda em início de trabalho?
Cezar - Foi extremamente importante, pois conseguimos nos apresentar de uma forma mais informal, não com um release na mesa do jornalista, mas um aperto de mão e muita cerveja (risos). E principalmente no nosso caso, primeiro disco, estávamos fora do cenário, precisávamos fazer esta audição que realmente foi muito bacana.

Após o lançamento do debut, a banda integrou o guitarrista Felipe Martins para dar mais força nas apresentações. Como tem sido a atuação do músico e em que ele pode contribuir com o Higher no futuro?
Cezar - Com a entrada do Felipe, a nossa apresentação ao vivo ganhou muito!
Precisávamos da segunda guitarra, e o Felipe é um grande guitarrista, e por ser o mais novo da banda, tem uma outra forma de ver e ouvir o metal, ou seja, pontos de vistas diferentes que com certeza nos ajudam no processo todo.

Recentemente o baixista Andres Zuñiga deixou o grupo, que recrutou Will Costa para o posto. O que aconteceu e o que o novo músico trouxe de novidades ao som do grupo?
Cezar - Vivemos em um país muito complicado para se viver de música. O Andrés recebeu uma ótima oferta para trabalhar com uma grande artista do Brasil, e o Gustavo e Eu, mais do que depressa apoiamos a escolha do nosso amigo Andrés Zúñiga. E com isso tivemos a sorte de encontrar outro grande músico e ser humano, o Will Costa. Ele veio por indicação do Felipe (nosso guitarrista). O Will rapidamente já entrou no clima da banda e já fizemos dois shows com o cara que manda muito.

Higher
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Vocês têm realizando algumas apresentações pela capital e interior, tendo recentemente se apresentado com as bandas Primator e Attrachta. Isso me fez refletir sobre a cena nacional, em que os fãs estão deixando cada vez mais de assistirem bandas independentes. Como encaram se apresentar em alguns casos para casas vazias ou com pouca gente?
Cezar - Isso realmente é preocupante! Mas, quando se sobe em um palco, a vontade de fazer um bom show e a alegria de tocar seu trabalho faz com que você execute da melhor maneira e nem se preocupe com a quantidade de pessoas que estão na plateia, pois as que foram merece o nosso melhor!

Para terminar, recentemente, o DR. SIN, uma das bandas mais estáveis da cena nacional anunciou que encerrará as atividades no fim deste ano. Vocês pensam que a realidade da cena nacional contribuiu para que os músicos resolvessem tomar esta decisão?
Cezar - Grande perda para a música nacional com certeza! Uma carreira incrível, discos maravilhosos, o DR SIN sempre será uma referencia pra todos nós.
Acredito que o término seja uma junção de várias coisas, acho que não conseguiria apontar “um” motivo apenas para o término da banda. Mas acho que o cenário hoje deve ser um dos motivos.

2 de setembro de 2015

LOSNA: PARA OUVIR E BATER CABEÇA

Terceiro álbum de banda gaúcha se destaca por trazer canções empolgantes e trabalhadas

Por João Messias Jr.

Another Ophidian Extravaganza
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Apresentar inovação é o que menos vale num álbum. O que realmente dá pontos  num trabalho é se o mesmo empolga, missão que  Another Ophidian Extravaganza", dos gaúchos da Losna faz muito bem.

Neste álbum lançado em 2015, o trio formado por Fernanda Gomes (baixo/voz), Débora Gomes (guitarra) e Marcelo Índio (bateria) mantém a mesma linha de trabalhos anteriores, aliando elementos do thrash e death metal.

Graças a experiência desses onze anos de estrada, mesmo sem apresentarem novidades, fogem do lugar comum. Isso se deve ao nível musical dos músicos, fazendo com que a coisa não caia na repetição. Parte disso são méritos dos vocais de Fernanda, que embora soem como as bandas speed/thrash dos anos 80, foge do jeitão da saudosa Wendy O. Williams (Plasmatics, Kommmander of Kaos), indo numa linha mais próxima ao Sy Keeler (Onslaught), só que mais agressiva e variada, com um pouquinho de Obituary e Kreator aqui e ali...

... Voltando a falar das vozes, Amore Sapore é dona de refrão e ponte empolgantes e a pesada Back to the Grotto são alguns destaques. Só que os outros instrumentistas também dão o seu show particular, como nos riffs de Project 971 e a quase hardcore Strut!, além das batidas trabalhadas e rápidas de Immiscible Pleasures. Outro destaque fica para Mesmerized by Rotten Meat, cujas letras iniciais de cada verso formam a frase "Amor Só de Mãe", 

Aliado a massa sonora, "Another Ophidian Extravaganza" vem embalado num belo trabalho gráfico, a cargo de Tiago Medeiros e uma produção limpa e pesada feita por Fabio Lentino (Nephast) em conjunto com o trio.

Como diz o título desta resenha: "Para ouvir e bater cabeça".

28 de agosto de 2015

TEMPLO DE FOGO: HONESTIDADE ACIMA DE TUDO

Sem invencionices, grupo de Itu aposta no heavy metal tradicional

Por João Messias Jr.

A Marca
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Não adianta técnica, capa e produção fodásticas se não houver honestidade e sinceridades,  elementos que bem combinados fazem com que determinados trabalhos se sobressaiam em relação aos outros, ainda mais numa época em que a cada hora temos um novo grupo apresentando seus álbuns.

Caso de “A Marca”, novo trabalho do grupo cristão Templo de Fogo. Natural de  Itu, o trio hoje formado por Moisés Missão (guitarra e voz), Fernando Miguel (teclados) e Zé Ronaldo (bateria), foge dos esquemas perfeitos e artificiais que temos hoje em dia, mostrando uma música orgânica, feita para os palcos e letras que .

Só que isso não é sinal de música tosca e feita de qualquer jeito. Alguns exemplos ficam por conta da empolgante Pela Manhã, além das pesadas Filisteus, Mundo Desigual, a  speed Nossa Força, além da épica Escolha, que aponta uma nova faceta do grupo.

É perfeito? Não, pois o trabalho da capa ficou devendo em alguns aspectos como a nitidez e não agradará a galera que curte um som mais moderno. Mas se for sua praia aquele metal raçudo com peso, melodia e vocais raivosos, é uma boa pedida!

25 de agosto de 2015

MALEFICARUM: BRUTALIDADE E SEGURANÇA

Quinteto cearense soa agressivo, seguro e coeso em novo trabalho, Trans Mysterium

Por João Messias Jr.

Não tem jeito, passam-se os anos e determinados estilos recebem novas referências e nuances musicais. A conseqüência disso é que eles acabam ficando anos luz de suas raízes. Quantas ramificações temos do heavy metal, hard rock?

E como todos sabem, não é de hoje que essa variação chegou ao black metal, que em seus primeiros tempos se caracterizava pela rispidez de nomes como Bathory e Venom. Décadas depois, vemos grupos que embora usem a mesma temática, flertam com estilos como o  ambient e o eletrônico, como o Mortiis, The Kovenant, entre muitos outros

Porém, é louvável quando deparamos com trabalhos como o Trans Mysterium, dos cearenses do Maleficarum. Formado por Lord Maleficarum (vocal), Incredolus (guitarra), Count Cemeluchus (guitarra), Nebulam (baixo) e Lucifugi (bateria), o grupo bebe na veia das bandas acima, mas com um tempero  brazuca a lá Sarcófago/Vulcano. Inclusive este último é homenageado com uma boa versão para Guerreiros de Satã.

A exceção da intro Ajagunã, o disquinho apresenta músicas ríspidas, que mesclam momentos cadenciados e partes para bater cabeça, como Aqueronte e Ragnarok. Outro belo momento é a agressiva Cruzada, que soa como um canto de evocação as crenças do grupo, que de forma direta passa a mensagem sem soar chato ou panfletário por sua causa.

Junto as canções que agradará aos fãs das vertentes mais agressivas do metal, o álbum recebeu um acabamento especial em digipack, o que o torna mais atraente e atiçará mais a vontade de tê-lo em sua coleção.

13 de agosto de 2015

FABIANO NEGRI: O RESGATE DO PASSADO

Novo álbum do vocalista mantém referências da música negra americana com um agradável tempero hard

Por João Messias Jr.

Maybe We'll Have a Good Time
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Fabiano Negri é aquele cara que dispensa apresentações. Com mais de duas décadas de estrada e trabalhos memoráveis ao lado de grupos como Rei Lagarto e Dusty Old Fingers, lançou este ano seu novo´álbum solo. Chamado de Maybe We'll Have a Good Time...For the last time, o trabalho possui traços do registro anterior, A Practical Guide to Throwing Money Away, mas com dois detalhes que fazem as diferem por totalidade.

O primeiro detalhe fica por conta da imersão do vocalista na música negra praticada nas décadas de 1950/1960. A consequência disso são músicas que primam pela introspecção sem soarem chatas como a deliciosa Real Woman, dona de guitarras limpas, a balada com cara de hit Any Blessing on my Soul, que também conta com os vocais sedutores de Caroline Blumer. In a Different Way é outro belo momento, num formato intimista voz e violão.

Já o segundo e mais marcante ponto do trabalho fica por conta dos sutis toques de hard (seria o vocalista se reencontrando com o passado) que permeiam aqui e acolá, que trazem músicas contagiantes como a faixa-título, Back to Hell (alguém lembrou dos Stones?), dona de uma percussão esperta a cargo de Marcelo Pereira.

Isso sem dizer no "grande encontro" desses momentos. A sublime Hey é um desses casos, onde mais uma vez as guitarras limpas são o chamativo. Assim como o encerramento com Enemies, que sintetiza como é o disco e soa como uma improvável mistura de Beatles e Enuff Z Nuff.

Potsdamer Platz talvez seja a mais diferente do trabalho. Dona de um clima denso e melancólico ela transmite uma sensação perturbadora  que fica mais evidente graças ao uso bem colocado dos teclados.

Mas não fica só nisso. O trabalho tem o suporte de uma produção bem feita, em que se ouve todos os instrumentos de forma nivelada, encarte simples e caprichado. Fatores que fazem de Maybe We'll Have a Good Time...For the Last Time uma boa pedida pra você que acha que as novidades ficam restritas aos programas de TV aberta.

PASSANDO A MENSAGEM

Com influências diversas, quarteto catarinense explora em suas letras a insatisfação contra o governo e corrupção Por João Messias Jr. As pr...